quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Terra


Terra, não é isto que tu queres: surgir
invisível em nós? Não é o teu sonho
seres um dia invisível? Terra! invisível!
Se a transformação não é a tua missão imperiosa, então qual será?
Terra, minha querida, eu quero. Oh, acredita, não seriam mais necessárias
as tuas Primaveras para me conquistar para ti , só uma,
ai! uma única e já demasiada para o sangue.
Inominadamente, por ti me decidi, já de longe.

Sempre tinhas razão e a tua sacra ideia
é a discreta morte.

Rainer Maria Rilke
in "As Elegias de Duíno"
(tradução de Maria Teresa Dias Furtado).

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