quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O “antifascismo”

Perante a actual crise política, Passos Coelho insistiu na convergência dos partidos declarando: “Quero apenas reafirmar que o país precisa muito de um espírito de união e de união entre todos os portugueses e de uma união nacional”.

Sempre alerta como um cão de fila, a coordenadora do Bloco de Esquerda classificou prontamente a utilização da expressão “união nacional” como uma “barbaridade”, questionando se Passos Coelho é “inculto” ou se o partido único do Estado Novo é a sua “única referência política”. Os “antifascistas” adoram palavras proibidas e a eterna vigilância...

Jaime Nogueira Pinto definiu-os bem, escrevendo recentemente: “Os antifascistas de serviço – desde os veneráveis vultos do reviralho, obcecados em dizer e fazer tudo ao contrário do que Salazar diria e faria, aos bloquistas que repetem as enormidades da vulgata leninista – querem aproveitar a guerra psicadélica entre a coligação e o Presidente, para se escapulirem e passarem as culpas. Fazem de conta que os pecados e a crise começaram agora e que eles aí estão com receitas infalíveis para a cura. Por isso convém lembrar que esta gente foi a que fez a descolonização e as nacionalizações de qualquer maneira, quem manteve uma constituição socialista até tarde e quem semeou e impôs constitucionalmente os clichés ideológicos que bloqueiam a política, a economia, a sociedade.”

De facto, na sua classificação maniqueísta da política, sentem-se os representantes do “bem” contra o “mal”. Este último, é um verdadeiro poço sem fundo onde cabe tudo o que lhes interessa. Pior, do dito “fascismo” à “direita” é para eles um passo. A confusão ideológica é uma das suas velhas armas.

Acontece que nesta sua teimosia apenas beneficiam o sistema que afirmam combater. Como disse Julien Freund, “as sentinelas do antifascismo são a doença da Europa decadente”.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

1 comentário:

  1. Convenhamos que não foram os "antifascistas de serviço" que nos meteram no euro, a grande causa da actual crise.

    Se estamos nesta situação, podemos agradecer sobretudo à "união nacional" dos grandes interesses económico-financeiros que tem nos partidos do "arco da governação" os seus fieis servidores.

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