quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Homo consumens

Não deixa de ser inacreditável, em plena crise e em período de férias, continuarmos a ver as grandes superfícies comerciais cheias de pessoas que insistem em comprar uma miríade de objectos inúteis. Bombardeados pela publicidade, correm prontamente às “novidades” que em nada são essenciais à sobrevivência.

Recorde-se uma passagem do excepcional “Clube de Combate”, de Chuck Palahniuk: “Compras mobília. Dizes a ti próprio, este é o último sofá de que vou precisar para o resto da minha vida. Compras o sofá e depois, durante um par de anos, sentes-te satisfeito porque, aconteça o que acontecer de errado, pelo menos, conseguiste resolver a problemática do sofá. Depois é o serviço de pratos certo. Depois a cama perfeita. Os cortinados. A carpete. Depois ficas encurralado dentro do teu lindo ninho e as coisas que dantes possuías, agora possuem-te a ti.”

Possuídos pelas coisas, tornamo-nos dependentes. Como escreveu Guillaume Faye, em “L'Archéofuturisme”, “o sistema torna dependente a sociedade civil com recompensas, vantagens, falsos privilégios, prémios inúteis”. Mas essas vantagens são falsas e este pensador contemporâneo francês exemplifica: “Faz-se crer a uma pessoa que é livre, mas na verdade está enjaulada, que conduz rapidamente o seu carro GTI, ainda que este a arruíne todos os meses, e que no final perde tanto tempo nos engarrafamentos como as horas de trabalho necessárias para pagá-lo.” E para quê? Faye explica que é “para fazer esquecer o desemprego, o trabalho precário, a insegurança, os alimentos adulterados, a degradação do Ambiente, ou o lento desaparecimento do seu Povo”.

Deixamos de ser cidadãos de um país para nos tornarmos consumidores do mundo. É esse o objectivo último da mundialização. É exactamente essa massificação que devemos combater, começando por nós próprios, no seio da nossa comunidade nacional.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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