sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A História continua

Depois do suicídio de Dominique Venner em frente ao altar da Catedral de Notre-Dame, em Paris, no passado dia 21 de Maio, os leitores de “La Nouvelle Revue d’Histoire”, publicação de referência na divulgação histórica por ele fundada e dirigida, questionaram-se sobre a sua continuidade. Como se previa, o seu sucessor foi o historiador Philippe Conrad.


Dominique Venner
“La Nouvelle Revue d’Histoire” foi fundada em Julho de 2002 por Dominique Venner e um grupo de historiadores franceses com o objectivo de ir além das interpretações parciais da História, contrariando a tendência de analisar o nosso passado numa perspectiva maniqueísta de “bons” e maus”. Sucessora de “Enquête sur l'Histoire”, também dirigida por Venner e que foi publicada de 1991 a 1999, a revista cedo se tornou uma referência no seio das publicações periódicas sobre História em França, mas também no estrangeiro. Em Portugal é possível adquiri-la em vários locais pelo preço de 7,90 euros.
Philippe Conrad
No último número dirigido por Dominique Venner, o 66, surgiu a resposta indirecta a uma questão que os leitores de “La Nouvelle Revue d’Histoire” devem ter feito: a da continuação da revista. No ‘post scriptum’ do seu editorial do número anterior, Venner afirmou que para aquela edição e para as seguintes ia contar ainda mais com o apoio do seu amigo e um dos fundadores da revista, o reputado historiador Philippe Conrad. Era um anúncio de quem seria o novo director. Neste momento, estão disponíveis nas bancas portuguesas duas edições da revista: um número especial, ainda sob a direcção de Venner, e o n.º 67, dirigido por Conrad.

Napoleão. O fim do império
O sexto número especial de “La Nouvelle Revue d’Histoire” tem como tema “Napoleão. Leipzig 1813”, analisando o fim do seu império europeu. No editorial, Venner afirma que o ‘dossier’ desta edição é realizado sob a direcção de Philippe Conrad e analisa com precisão o que foram para Napoleão as causas e as consequências da derrota de Leipzig. Este número está dividido em duas partes, sendo a primeira “A potência em questão” e a segunda “Leipzig 1813, a batalha das nações”. Na primeira, dedicada às guerra antes de Leipzig, podemos ler os artigos “A Inglaterra contra a França”, de Nicolas Vimar, “Tudo começou em Espanha”, de Jean-Joel Brégeon, “As consequências do desastre russo”, de Clément Mesdon, “O jogo duplo de Metternich”, de Martin Benoist, a entrevista com P. Willy Brandt sobre a entrada em cena da Prússia, entre outros. A segunda parte abre com uma cronologia de 1813 feita por Philippe Conrad, que também assina o artigo sobre o reformador prussiano Clausewitz e inclui vários artigos sobre essa batalha decisiva, bem como um sobre o despertar do romantismo alemão, de Alain de Benoist, e outra sobre 1813 na memória alemã, de Thierry Buron.

Roma, cidade eterna
O n.º 67 de “La Nouvelle Revue d’Histoire” tem Roma como tema central, com um excelente ‘dossier’ que inclui artigos desde a fundação da cidade até ao tempo de Mussolini, onde se destacam os artigos Como o Império se tornou cristão”, de Dominique Venner, “O papado romano na Idade Média”, de Bernard Fontaine, “A Roma de Mussolini”, de Michel Ostenc, e “De Roma à Cinecitta”, de Philippe d’Hugues. Sendo o primeiro número publicado depois do suicídio do seu fundador, há quatro página com homenagens a Dominique Venner de várias figuras da cultura francesa e europeia. Destaque também para a entrevista com Anne Cheng sobre a “China de hoje e de ontem”, o texto “Da esquerda ao capitalismo absoluto”, de Dominique Venner, e o artigo sobre Henri Béraud, de Francis Bergeron. Conrad revela-se, como se esperava, um excelente sucessor de Venner na direcção da revista, que mantém toda a qualidade e interesse.

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