quinta-feira, 25 de julho de 2013

Teatro de sombras

As comunicações do Presidente da República são um óptimo reflexo do Portugal de hoje. A indecisão, a falta de confiança e o triste esforço na manutenção de uma situação de submissão caracterizam o sentimento generalizado dos portugueses.

Um discurso é sempre passível de múltiplas interpretações, mas Cavaco Silva parece ter-se esmerado recentemente em deixar uma expectativa permanente pela incompreensão das suas palavras.

As interrogações continuam, enquanto o País se afunda gradualmente. Lendo da esquerda para a direita o panorama partidário, percebemos como há dois partidos que continuam a insistir em discursos estafados e em pretensas soluções utópicas em que nem eles acreditam. Continuando, vemos como os socialistas e o seu líder – se é que ele pode ser assim chamado – estão verdadeiramente atolados e não sabem como ser contra a ‘troika’ e a favor dela ao mesmo tempo. Todos estes partidos não conseguem também explicar porque é que sujeitar o País a eleições antecipadas mudaria o que quer que fosse. Já no PSD, Passos Coelho sabe que tem uma fatia considerável do seu partido à espera da oportunidade para lhe puxar o tapete e os seus melhores trunfos são a oposição desastrosa e a manutenção do Governo, custe o que custar. Os centristas, muitos ainda estupefactos com a demissão do seu líder de ministro, sabem que o futuro não será fácil e aguardam que o seu partido consiga ganhar protagonismo na coligação, para cantar vitória, mesmo que por pouco tempo.

Em política nada do que parece é? Assistimos na cena nacional a um teatro de sombras. A uma ilusão na qual os verdadeiros objectivos estão atrás da tela. O que vemos são ilusões. Não nos deixemos enganar. O País continua em suspenso. Por quanto tempo? E a que preço?

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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