quinta-feira, 4 de julho de 2013

Pena e espada

Actualmente, vê-se um intelectual como alguém avesso ao exercício físico, afastado do comum dos mortais, imerso nos seus pensamentos e superior aos demais. Por fim, há a ideia generalizada de que se trata de alguém que recusa o envolvimento directo, a violência da acção e, em último caso, a guerra.

Regressemos aos clássicos. Na Grécia Antiga, a filosofia e o saber não estavam desligados do treino físico e militar. A maioria dos intelectuais gregos desse tempo tinha experiência de guerra. Sócrates foi hoplita e participou em pleno menos três batalhas. Ésquilo combateu em Maratona contra os persas. Sófocles foi comandante das forças atenienses na conquista da ilha de Samos, durante a Guerra do Peloponeso. Para além de filósofos, não esqueçamos historiadores como Tucídides ou Xenofonte. Já em Roma, onde muitos outros nomes podiam ser apontados, como o de César, recorde-se o famoso ‘mens sana in corpore sano’, retirado das “Sátiras” de Juvenal. A lista seria infindável, mas não se resume às civilizações clássicas.

De Cervantes, que combateu na Batalha de Lepanto, a D’Annunzio, que marchou sobre Fiume, a História da Europa está repleta de grandes intelectuais que não se negaram ao combate, que não se intimidaram perante as “Tempestades de Aço” que contou e viveu Jünger. Homens que, como o nosso Camões, levavam “numa mão a espada, noutra a pena”.

Da última vez que Portugal chamou, “vestiram-se os poetas de soldados”, como escreveu Rodrigo Emílio. Assim deve ser.

A cómoda atitude daqueles que se refugiam nas nuvens, afastados da sua terra e do seu povo, que não sentem a comunidade e não estão prontos a defendê-la, é pura cobardia, normalmente mal disfarçada de pacifismo.

O pensamento não pode ser algo estéril. Como afirmou Ezra Pound: “a única cultura que reconheço é aquela que se torna acção”.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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