quinta-feira, 18 de julho de 2013

Partidocracia

Não tenhamos ilusões, vivemos numa partidocracia e o actual caos político e a recente guerra no seio da coligação governamental trazem essa realidade ainda mais à vista de todos.

Não é assim de estranhar que os portugueses desconfiem deste sistema onde os partidos detêm o poder. Melhor dizendo, estes partidos digladiam-se pelas migalhas de poder que caíram no chão depois de nos terem transformado num protectorado, sujeito aos ditames externos.

Depois de Jaime Nogueira Pinto ter afirmado que “a classe política destruiu a independência nacional”, José Miguel Júdice disse que “precisávamos de acabar com estes partidos”. A ligação entre estas duas afirmações justifica-se porque é notório que os partidos herdados do 25 de Abril põem os seus interesses à frente do interesse nacional, apesar de tanto o apregoarem convenientemente.

Veja-se o recente discurso do Presidente da República, onde Cavaco Silva diz que “desde que exista, à partida, vontade e espírito de cooperação entre os partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento, e desde que estes coloquem o interesse nacional acima dos seus próprios interesses, não será difícil definir o conteúdo em concreto desse entendimento”. Ou seja, reconhece que os partidos normalmente põem os seus interesses acima do interesse nacional.

Mas, não nos iludamos. De seguida, considerando que “o que está em causa é demasiado grave e demasiado importante”, o Presidente afirmou que “a existência de um compromisso de médio prazo é a solução que melhor serve quer o interesse nacional quer o interesse de todos os partidos, que poderão preparar-se para o próximo ciclo político tendo dado mostras aos Portugueses do seu sentido de responsabilidade”. Ou seja, para tranquilizar os partidos, volta a garantir os interesses destes.

Por fim, Cavaco Silva, ao anunciar eleições antecipadas, deu início à campanha eleitoral. Com esse acto, pôs os partidos a pensar apenas nos próprios interesses.

A partidocracia vigente está viciada à partida. Urge uma refundação.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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