segunda-feira, 15 de julho de 2013

Interesse nacional

São os que mais falam em “interesse nacional” aqueles que demonstram a maior irresponsabilidade perante o futuro de Portugal. Todos: da esquerda à direita. Dos partidos que assinaram o memorando com a 'troika' aos que sempre tentaram parar o País, acabando (ou começando?) no Presidente da República, convenientemente distante e sem coragem para intervir. Isto é uma palhaçada... cada vez mais triste.

Portugal é hoje assumidamente um protectorado, onde os pequenos líderes locais, apesar de sujeitos aos ditames dos credores externos, não se coíbem de jogos políticos e de poder que custam ao País milhões.

São governantes sem vontade de afirmação nacional, meros negociantes com interesse na manutenção da actual situação para proveito próprio e a curto prazo.

O nosso país não pode ser a prazo. Não pode ser um navio sem rumo, velejando ao sabor de ventos estrangeiros e com velas emprestadas a juros.

É necessário um projecto nacional, que ponha em primeiro lugar o futuro do País e o melhor para os portugueses. Mas como sair deste sistema partidocrático que nos asfixia há anos?

Não há soluções mágicas e imediatas, bem o sabemos. No entanto, não é o actual estado de bloqueio que nos deve impedir de pensar um amanhã diferente.

Uma verdadeira reforma do Estado não pode continuar a assentar no rotativismo partidário vicioso ou no exercício de maquilhagem política que é a constante alteração de ministérios, com todos os custos que essas manobras implicam.

Um sistema diferente só pode nascer de uma crise que faça sentir aos portugueses a necessidade de uma mudança radical. Um tempo em que a vontade popular e as elites se encontrem, decididas numa viragem.

Esse tempo político novo podia ser o nascimento de uma IV República, com uma nova Constituição referendada, que marcasse uma era de real defesa do interesse nacional, que quebrasse as grilhetas do domínio externo. Os pessimistas, como é hábito, garantem que tal não é possível. Mas esse tempo pode estar muito mais próximo do que esperamos.

O actual estado do País leva-nos a pensar que tudo isto é triste... Mas não tem que ser o nosso fado.

in «O Diabo», de 9/7/2013.

4 comentários:

  1. Gostei muito Caro Amigo! Se a famigerada crise realmente apertar e acabar o dinheiro, então aí, talvez, tenhamos a desejada ruptura. Seria a "utilité du malheur" da qual falava Maurras, ao pensar nas crises endémicas da 1.ª República e que conduziram ao "28 de Maio" e a Salazar.
    Abraço!

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  2. De onde é essa linda pedra de armas???
    Abraço

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  3. Não sei, porque encontrei na internet e não tinha qualquer referência. Mas é linda, sem dúvida.

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  4. De pedra! Encontramos-nos lá quando abrirem os portões.
    Um Abraço

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