sexta-feira, 12 de julho de 2013

A Batalha pela Europa

Guillaume Faye é um dos maiores pensadores da direita radical francesa e europeia e provavelmente o mais polémico. Michael O’Meara sintetizou as suas ideias e a sua obra em “Guillaume Faye and the Battle of Europe”, um pequeno livro publicado pela Arktos, que é uma óptima introdução ao pensamento de Faye.



Michael O’Meara é um profundo conhecedor da corrente que ficou conhecida por Nova Direita, que teve Alain de Benoist como figura de proa, das suas evoluções e dos diferentes caminhos que seguiram os seus protagonistas mais influentes. Em 2004, publicou “New Culture, New Right. Anti-liberalism in Postmodern Europe”, obra que, em conjunto com a “Against Democracy and Equality. The European New Right”, do croata Tomislav Sunic, cuja primeira edição foi publicada em 1990 e a segunda em 2004, melhor deu a conhecer ao mundo anglo-saxónico o ideário desta corrente de pensamento identitária.

Guillaume Faye, considerado o “electrão livre” da Nova Direita nos primeiros tempos do Groupement de recherche et d'études pour la civilisation européenne (GRECE), cedo demonstrou a sua genialidade, nomeadamente na brilhante obra “Le Système à tuer les peuples”, publicada em 1981. Acabou por afastar-se de Benoist e da Nova Direita, mas nunca deixou de reflectir sobre a situação actual do mundo, em especial no que respeita ao futuro da Europa. Em 1998 publicava “L’Archéofuturisme”, obra que agitou a direita radical francesa e que marcou a afirmação da chamada corrente identitária. De volta a uma considerável influência e inspiração em tantos movimentos políticos, que de França se expandiu para outros países europeus, Faye denunciou de seguida a islamização da Europa, que considerou o maior perigo para a nossa civilização, no livro “La Colonisation de l’Europe. Discours vrai sur l’immigration et l’Islam”, publicado em 2000. A obra teve um impacto tremendo em França e valeu ao autor um prolongado e custoso processo judicial. Mas nada o deteve, já que no ano seguinte escreveu “Porquoi nos combattons. Manifeste de la resistance européenne”, um glossário com as suas ideias para defender a Europa e os europeus. Continuou a publicar obras sobre vários temas até hoje, sempre polémicas, até para a sua suposta área política.

Cheguei a Guillaume Faye através das suas propostas arqueofuturistas, que muito me influenciaram. Li o que havia publicado anteriormente e nunca deixei de acompanhá-lo, mesmo quando discordava de algumas das suas posições. Conheci-o em Paris e trouxe-o a Lisboa em 2006 para uma conferência. Mesmo quando se afastou de alguns amigos que temos em comum não deixei de falar com ele e saber que novos projectos tinha. Faye é naturalmente inesperado. Como O’Meara tão bem atesta no seu livro, Faye pode desiludir-nos num livro e surpreender-nos no seguinte.

O mundo anglo-saxónico descobriu a obra de Guillaume Faye tardiamente. O’Meara tem sido talvez o maior divulgador deste pensador francês e a editora Arktos publicou a partir de 2010 traduções de três das suas obras fundamentais.

Mas não se pense que O’Meara é um mero repetidor de Faye. Pelo contrário, na excelente Introdução de “Guillaume Faye and the Battle of Europe”, apesar de reconhecer a sua genialidade, é crítico em relação a algumas das suas posições fundamentais. Há quatro problemas principais para O’Meara na visão de Faye. O primeiro é a ênfase dada no arqueofuturismo ao aspecto futurístico em detrimento do arcaico, o segundo é a identificação do Islão como principal inimigo da Europa e não o mundialismo americanista que possibilita a islamização da Europa, o terceiro é ver no sionismo israelita um aliado contra o Islão, algo que o descredibilizou em vários meios, por fim, o quarto problema é o paganismo anti-cristão que Faye herdou dos tempos do GRECE.

Não vou aqui tecer as minhas críticas ao pensamento de Faye nem às posições de O’Meara. São ideias para reflectirmos e construirmos o nosso caminho.

“Guillaume Faye and the Battle of Europe” compila ensaios sobre as ideias de Faye, recensões sobre os seus livros e traduções de textos seus que Michael O’Meara publicou em vários sítios ao longo da última década, organizados por ordem cronológica.

O título define bem a obra, chamando a atenção para o facto de a Europa estar em guerra e não o saber. Perante a invasão do Sul globalizado e sob o domínio norte-americano trava uma luta pela sobrevivência que só será possível com a mobilização revolucionária de uma resistência. Como afirma O’Meara, Guillaume Faye é a Cassandra que avisa os europeus da sua extinção e da necessidade de se prepararem para a Batalha da Europa.

Numa altura em que as gerações mais jovens em Portugal compreendem melhor o inglês que o francês, este livro pode ser um primeiro passo na descoberta das ideias de um pensador essencial para os terríveis desafios que todos, como europeus, enfrentamos.

1 comentário:

  1. A propósito do SEPARATISMO-50-50… existe pessoal um bocado irritado com tanto 'copy-past'... aqui fica a explicação:
    --> Muita gente perde-se facilmente com 'fait-divers'… esquecendo-se do essencial… assim sendo, nunca é demais relembrar: é urgente adoptar uma ESTRATÉGIA DE LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA da Identidade!
    {nota: uma NAÇÃO é uma comunidade duma mesma matriz racial onde existe partilha laços de sangue, com um património etno-cultural comum. Uma PÁTRIA é a realização de uma Nação num espaço}
    --> A consciencialização das pessoas de que é urgente adoptar uma Estratégia de Luta pela Sobrevivência da Identidade é uma coisa que demora o seu tempo.
    --> Numa primeira fase, temos de ter a consciencialização das pessoas… depois terão que ser organizadas manifestações (ex: como aquelas que aconteceram no Egipto) em todo o país (melhor, em vários países em simultâneo): . «Pelo DIREITO À SOBREVIVÊNCIA contra o NAZISMO-DEMOCRÁTICO».
    .
    .
    P.S.
    --- Existem mais de 1200 milhões de chineses, existem mais de 1200 milhões de indianos, etc, etc, etc… e… existem Nazis-Democráticos!
    --- Os Nazis-Democráticos insistem em acossar/perseguir qualquer meia-dezena de milhões de autóctones que defenda a sobrevivência da sua Nação/Pátria… leia-se: os Nazis-Democráticos pretendem determinar/negar democraticamente o DIREITO À SOBREVIVÊNCIA de outros…

    ResponderEliminar