sábado, 1 de junho de 2013

Vale do Reno


Ternamente, como outrora, sinto o sopro das brisas da juventude;
As árvores abertas amigas que outrora me embalaram nos seus braços
Sossegam o coração desassossegado,
E o sagrado verde, sinal da ditosa, profunda
Vida do mundo, refresca, devolve-me a juventude.
Entretanto envelheci, o gélido pólo empalideceu-me,
E no fogo do Sul perdi os anéis do meu cabelo.
Mas ainda que chegado ao seu último dia de vida mortal,
Alguém vindo de longe e exausto até ao fundo da alma tornasse
A ver a terra, as cores voltar-lhe-iam à
Face e o seu olhar quase extinto voltaria a brilhar.
Ditoso vale do Reno! Não há colina sem vinhedos,
E muros e jardins coroam-se de parras,
E os barcos que navegam vão carregados da bebida sagrada,
Cidades e ilhas estão ébrias de vinhos e de frutas.
Mas sorridente e sério repousa em cima do velho Taunus,
Que, livre, inclina a sua fronte coroada de carvalhos.

Friedrich Hölderlin

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