domingo, 16 de junho de 2013

O admirável mundo novo

As recentes revelações de que a administração norte-americana tinha acesso ao registo das comunicações feitas através da operadora Verizon eram apenas a ponta do icebergue. Afinal, tudo o que é partilhado através de serviços como o Google ou o Facebook é compilado nas bases de dados da Agência de Segurança Interna (National Security Agency, no original), um gigante secreto sobre o qual pouco se sabe, considerada a maior agência de espionagem do mundo. Uma investigação jornalística revelou a existência de um programa chamado PRISM, que funciona à margem de mandados judiciais e sem o conhecimento das empresas envolvidas.

Mais importante ainda é verificar que tal política não era exclusiva da administração republicana de George W. Bush, iniciada com a desculpa da “guerra contra o terrorismo”. O actual presidente norte-americano, Barack Obama, veio dar o seu total apoio ao registo de chamadas telefónicas e ao acesso a contas de correio electrónico, dizendo que “não podemos ter 100 por cento de segurança e 100 por cento de privacidade”.

Junte-se a esta sociedade vigiada a destruição da família, o mundo globalizado, o pensamento único imposto pelos ditames do politicamente correcto e a crença de que este é “o pior dos regimes, com excepção de todos os outros”. Eis-nos no (não tão) admirável mundo novo – a sociedade pós-moderna.

Mas ainda há quem se aperceba deste estado de coisas e se tenha lembrado de Aldous Huxley, em especial de uma citação premonitória: “A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.”

Uma gaiola dourada não deixa de ser uma gaiola.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

1 comentário:

  1. Bom post.

    "Uma gaiola dourada não deixa de ser uma gaiola."

    É mesmo isso...

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