quarta-feira, 1 de maio de 2013

O fim da soberania


Mesmo com algum atraso, vale a pena referir este número da “Éléments” dada a actualidade do seu tema central: “O fim da soberania”, provocado por um golpe de Estado chamado “Pacto Orçamental Europeu”.

Mesmo não se concordando na totalidade com as posições desta revista, qualquer pessoa inteligente e intelectualmente honesta reconhecer que se trata de uma publicação thought provoking, que se debruça sobre temas actuais da maior importância com reflexões de fundo e não alinhadas com o carneirismo reinante.

No editorial, onde Alain de Benoist assina com o pseudónimo Robert de Herte, afirma-se que “o fim do mundo já aconteceu” e deu lugar a “um mundo líquido”. Dando o mote para o tema central, Herte afirma que “assistimos à entrada em cena da ‘governança’, uma espécie de cesarismo financeiro que governa os povos descartando-os”. Num excelente ‘dossier’ dedicado ao fim da soberania, essencial para perceber a actual crise e todas as suas consequências, podemos ler os artigos “Crise financeira: onde estamos?” e “O mito dos mercados eficientes”, de Alain de Benoist, e “Pequena genealogia do Pacto Orçamental Europeu”, de Félix Mores.

A merecer destaque, também, há a entrevista com o professor catalão Jean Soler, a propósito do escândalo provocado pela sua última obra, “Quem é Deus?”. Acima de toda a polémica, ele afirma que é preciso “manter vivo o modelo da Grécia antiga”. A seguir, um “Manifesto por um romance ‘noir’ total” defendido por Pierric Guittaut, Thierry Marignac e Olivier François. Dizem estes autores que querem “policiais que falem do Islão e do desemprego programado, dos identitários e dos construtores de mesquitas, de desindustrialização e da traição das elites”. A propósito de “Django Unchained”, de Quentin Tarantino, Nicholas Gautier regressa ao filme de Sergio Corbucci que o inspirou, num interessante e provocador artigo chamado “O western zapatista”, onde questiona se este é de esquerda ou de direita. E responde: “Os dois, pelo contrário...” Também sobre este “Django” original, Michel Marmin dedica um artigo à história de um western que é “mais europeu que americano”. Lugar ainda para a Banda Desenhada, com um artigo sobre Raymond Macherot, para o desporto, com um artigo contra os “milionários” do rugby, para a ciência, com um artigo sobre Física Quântica, ou o ensaio “Media por todo o lado, informação em lado nenhum”, de Ludovic Maubreuil. Mais uma óptima edição, a não perder!

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