quarta-feira, 15 de maio de 2013

Daltonismo político


Mais uma vez assistimos a uma violência extrema nos saques, agressões e destruição pública na capital francesa, que recordam os "motins" de 2005, na sequência da vitória do Paris Saint-Germain no campeonato de futebol. No entanto, certa imprensa e os habituais dirigentes das esquerdas, activaram o seu habitual mecanismo automático de culpabilização. Os responsáveis, para estes bem-pensantes politicamente correctos, pertencem à extrema-direita. Acontece que, pelo menos desta vez, as imagens desmentem claramente esta associação.

É verdade que o PSG tem uma claque associada à extrema-direita, os "Boulogne Boys", mas desta vez vemos como aqueles que se aproveitaram de um festejo desportivo público são a 'racaille' proveniente das 'banlieues'. "Jovens" marginais, na sua maioria descendentes de imigrantes africanos ou magrebinos. Um fenómeno incómodo para os integracionistas, que tantas vezes foi denunciado pelas direitas gaulesas, seja por Sarkozy ou por Le Pen.

Obviamente, é muito mais cómodo culpar a "extrema-direita", nem que seja com expressões convenientemente vagas, como "grupos com ligações" ou "próximos". Pior, o novo governo socialista recusa qualquer responsabilidade pela inacreditável ausência de segurança que se viveu no centro da capital francesa. A UMP pediu prontamente a demissão do ministro do Interior, Manuel Valls. Já Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional, atribuiu a violência ao "fracasso da política de imigração", afirmando que as imagens televisivas mostram que os agressores são "evidentemente de origem imigrante".

No que respeita aos "ultras" do PSG, convém recordar que, em 2006, na sequência de confrontos após um jogo, a polícia não hesitou em agir com exagero e matar Julien Quemener. Atitude que contrasta com a relativa passividade na intervenção a que se assistiu desta vez.

Pelos vistos, há dois pesos e duas medidas. Mais, mesmo perante imagens esclarecedoras, as esquerdas e certa imprensa continuam a sofrer de acentuado daltonismo político.

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