quarta-feira, 15 de maio de 2013

África brevíssima


O continente africano teve uma grande importância na História da Europa, mas as transformações que sofreu ao longo dos séculos continuam a ser desconhecidas ou menosprezadas por muitos. Gordon Kerr propôs-se fazer “Uma Breve História de África”, ultra-sintética, que pode contribuir para despertar o interesse no Continente Negro.

Na capa deste livro podemos ler a seguinte descrição: “Uma História, acessível e agradável, dos povos, ideias, instituições e acontecimentos que deram forma a África, da origem da raça humana à Primavera Árabe”. Obviamente, tendo em conta estas balizas temporais, que só por si possibilitariam um trabalho de milhares de páginas, é claro que em menos de duzentas o que vamos encontrar é um resumo brevíssimo de um tema que tem tanto para explorar.

No entanto, numa altura em que grande parte das pessoas evita os grandes volumes e os estudos pormenorizados, porque se habituou a uma literatura ligeira, pode ser que esta obra seja um ponto de partida, um despertar da curiosidade, para a História africana.

Poderíamos facilmente apontar o que falta, mas é melhor reconhecer que aqui está o básico da História de África, como se de uma entrada alargada de enciclopédia se tratasse. Aliás, um tom enciclopédico é o que caracteriza este livro, bastante dividido em capítulos bem identificados, que permitem uma consulta rápida do período que se prefira. Há pouco lugar para a interpretação e talvez seja melhor, já que com esta dimensão tal seria antes um ensaio.

Para se ter uma ideia, o capítulo “A chegada dos europeus e o início do comércio de escravos” tem como primeiro subtítulo “Os portugueses e a Costa Ocidental Africana”, algo que ocupa apenas duas páginas. Claro está que o nosso país é referido mais vezes. Ainda assim, talvez pela perspectiva anglo-saxónica que caracteriza a obra, Portugal é visto, aquando da chamada “Corrida a África”, formalizada na Conferência de Berlim, como “um país pobre em termos europeus” e “relativamente insignificante”, que para se impor explorou “as antigas rivalidades dos africanos”. Já no que respeita às independências africanas, nas duas páginas dedicadas à África portuguesa, é de estranhar que a única referência ao 25 de Abril seja feita no final do texto e sem atribuir ao golpe a importância que teve no desfazer do Império.

Depois da independências, Kerr reconhece que, excepto quatro países, “um país que não tivesse governo militar provavelmente havia-se tornado um estado autocrático, unipartidário”.

Por fim, o autor afirma que hoje se vive uma “nova corrida por África”. Segundo ele, “sessenta anos após o início da independência dos estados africanos, o fenómeno da colonização parece destinado a regressar, embora de uma forma mais subtil”. Esta “nova corrida”, para Kerr, tem os mesmos objectivos da corrida do século XIX, “despojar o continente dos seus ricos minarais”. Só que agora, os responsáveis são aquilo que ele considera “muitas multinacionais de grandes dimensões”.

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