sexta-feira, 31 de maio de 2013

A propósito de 'The Great Gatsby'

Há uma semana, na sua habitual coluna no semanário «Sol», Jaime Nogueira Pinto escreveu, sob o título "Gatsby e a decadência", que "no início do The Great Gatsby, Tom Buchanan (o milionário que casou com Daisy, a paixão de Gatsby), refere alarmado a leitura de um livro de um tal Godard que profetiza a decadência da raça branca e a ascensão dos povos de cor. O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald, cuja acção decorre no Verão de 1922, saiu em 1925. Oswald Spengler publicou o segundo volume da Decadência do Ocidente em 1922. Fitzgerald não sabia alemão, a tradução em inglês é de 1926, mas teve, seguramente, notícia do livro, até porque a obra de Spengler atingiu em poucos anos os 150 mil exemplares". A partir daqui, desenvolve um raciocínio sobre a "a decadência do Ocidente, melhor, da Europa".



No entanto, a inspiração de F. Scott Fitzgerald não foi a obra do historiador filósofo alemão Oswald Spengler, mas o o livro mais conhecido do norte-americano Lothrop Stoddard. Em "The Great Gatsby", o livro que Tom Buchanan refere é "The Rise of the Colored Empires", da autoria de Goddard. Aqui se nota a influência directa de "The Rising Tide of Color Against White World-Supremacy", publicado em 1920, de Lothrop Stoddard, que escreveu várias outras obras sobre o mesmo tema. As semelhanças nos títulos e nos nomes dos autores não deixam dúvidas, tal como a data de publicação, anterior ao "The Great Gatsby". Há ainda a hipótese de o nome Goddard ser inspirado pelo do psicólogo e eugenista norte-americano Henry H. Goddard.

É curioso que foi esta passagem do livro que, quando estudei "The Great Gatsby" no liceu, me despertou a curiosidade e me levou a saber da existência de autores como Lothrop Stoddard e Madison Grant, principais figuras entre os chamados "racialistas científicos" norte-americanos do início do século XX. Por fim, esta referência de Fitzgerald mostra como o tema estava na ordem do dia naquele tempo.

2 comentários:

  1. Na altura em que tive de gramar a leitura obrigatória desse livro também reparei que o autor punha a preocupação racial branca na boca do mau da fita - um truque rasca, ad hominem «subtil», para demonizar uma ideia.

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  2. O Fitzgerald aproveita para fazer política. Durante o livro, o narrador farta-se de considerar as ideias defendidas por Buchanan como "patéticas".

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