quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Homenagem

Jaime Neves tinha a fibra dos heróis. Não deixava ninguém indiferente, algo que se pode ver na forma como o seu nome tinha uma força especial. Ainda em vida, atingiu uma dimensão sobre-humana. Gerou paixões e amores, mas também ódios. Quando se ouvem as histórias dele – muitas já mitificadas – percebemos bem que a lenda cedo se começou a criar.

Foi um homem de acção e de posição, determinado e determinante. Nunca é demais recordar a sua importância no dia ao qual ficou para sempre associado – o 25 de Novembro. O seu nome confunde-se mesmo com este momento fulcral da História de Portugal.

Estávamos num perigoso cruzamento histórico e Jaime Neves conseguiu evitar o pior. Um só homem, com a sua vontade e carisma, conseguiu mudar o rumo de um país.

Após a sua morte, a Assembleia da República aprovou um voto de pesar com o apoio de PSD, CDS e PS. Mais à esquerda o voto foi recusado, em especial pelo PCP. Nada a estranhar, já que Jaime Neves foi o travão dos comunistas num período em que era mesmo necessário. A partir de então, passou a ser um símbolo nacional do anti-comunismo.

Nestas coisas dos votos de pesar, algo que devia ser mais ou menos pacífico, porque não implicam necessariamente um elogio, o PCP protagonizou um episódio que o define. Em 2011, enviou as condolências a Kim Jong-Il ao mesmo tempo que se opunha ao voto de pesar pela morte de Vaclav Havel.

Houve quem criticasse esta postura, mas porquê? Como se o PCP tivesse mudado ideologicamente...
A posição do partido agora, tal como a do resto da extrema-esquerda, não choca. Pelo contrário, faz todo o sentido. Faz-nos lembrar que a História recente do País ainda continua bem viva.

Por fim, esta recusa, vinda de onde vem, é a melhor homenagem que Jaime Neves podia ter dos seus inimigos.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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