quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Família

A produtora Belén Atienza ia no seu carro a ouvir um programa de rádio sobre o ‘tsunami’ que aconteceu no Oceano Índico em 2004, quando ouviu o impressionante testemunho de María Álvarez-Belón que relatou como a sua família havia conseguido sobreviver às consequências desse desastre natural, enquanto estava de férias na Tailândia. Quando contou a história ao realizador Juan Antonio Bayona, este decidiu que urgia passá-la ao cinema.

Em “O Impossível”, uma família vai passar o Natal num ‘resort’ paradisíaco e vê-se atingida por uma onda gigante inesperada. O que segue é uma verdadeira aventura de sobrevivência, mas sobretudo de amor. A separação, a incerteza da morte dos mais queridos, os ferimentos físicos e todas as dificuldades inerentes a uma terra devastada não vão abalar a esperança e a determinação do casal e dos seus três filhos.

Muitos críticos acusaram o filme de ser um exercício lacrimogéneo, mas María Álvarez-Belón considerou-o, pelo contrário, “valente e nada sentimentalóide”, para além de fazer uma reconstituição fiel do que aconteceu. Esse realismo foi também confirmado por outros sobreviventes.

Visualmente, esta longa-metragem está muito bem feita, tendo as cenas mais espectaculares sido filmadas nos estúdios da Ciudad de la Luz, perto de Alicante.

Diga-se que esta é uma grande produção espanhola, onde a opção por actores ingleses parece justificar-se com a, bem sucedida, entrada no mercado internacional.

A história é conhecida e previsível, trazida por um argumento sem profundidade, algo que também acontece com as personagens. Nos desempenhos, destaque-se a actuação de Naomi Watts, que lhe valeu a nomeação para o Óscar de Melhor Actriz.

Neste filme carregado de emoção, sobressai que só o apego à família consegue o impossível. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

Sem comentários:

Enviar um comentário