sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Desintoxicação ideológica

“Revista autónoma de desintoxicação ideológica”, é como se define esta excepcional publicação francesa, que desde que há uns anos começou a ter uma distribuição pública nas bancas teve como consequências directas uma subida significativa da tiragem e um aumento substancial de leitores. É sem dúvida um exemplo, o caso desta publicação que se tornou uma referência obrigatória, pela sua elevada qualidade e espírito interventivo e irreverente, iniciada há anos por um grupo de jovens motivado e dedicado.



A capa provocatória desta edição de Outono anuncia um óptimo ‘dossier’ sobre o tema dos ‘mass media’, canais que, como escreve Eugène Krampon na apresentação, “apesar das diferenças aparentes, difundem todos a mesma mensagem politicamente correcta”. Dos vários artigos há a destacar “Os ‘media’ como primeiro poder”, de Georges Feltin-Tracol, “A imprensa é mais livre nos EUA que na Europa?”, de Tomislav Sunic, “Oito meses de escola de jornalismo em Paris”, de Cyril Vachers, e as entrevistas com Camille Galic, jornalista que foi durante muitos anos a directora do “Rivarol”, e com Jean-Yves Le Gallou, presidente da Fundação Polémia, que afirma que “os ‘media’ do sistema apresentam todos o mesmo ponto de vista”.

O outro grande destaque nesta edição é para entrevista com o escritor anti-conformista e dissidente político russo Edouard Limonov, fundador e líder do Partido Nacional-Bolchevique, banido em 2007.
De referir, também, os artigos “Mundos virtuais”, de Thomas de Pieri e Benoît Leduc, sobre os videojogos, “Os guardas negros do Fuhrer”, de Christian Bouchet, sobre as relações entre os africanos e a Alemanha nacional-socialista, “A estratégia da anaconda”, de Edouard Rix, sobre geopolítica, “Jules Monerot ou a fome do Sagrado”, de Eric Norholm, e o de Flavien Blanchon sobre o modelo grego de cidadania.

Na parte cultural podemos ler os artigos sobre o realizador de cinema italiano Valério Zurlini e sobre o pintor francês Henri Matisse, de Pierre Gillieth.

Por fim, para além da secção “Um livro é um fuzil” sobre a obra de Hervé Ryssen “Compreender o judaísmo. Compreender o anti-semitismo”, temos onze páginas de notas de leitura sobre diversos livros publicados recentemente.

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