sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A ideologia do género contra o sexo

O mais recente número da revista “Éléments” tem uma capa provocadora que chama a atenção para o óptimo ‘dossier’ sobre a “ideologia de género”, mostrando a bela Brigitte Bardot com o título magrittiano “Isto já não é mais uma mulher”.



Esta é uma revista que existe desde 1973 e cujo título completo, traduzido para português, é “Elementos para a Civilização Europeia”. É, das três publicações periódicas do GRECE, aquela que se destina a um público mais alargado e por isso é vendida em quiosques. Dirigida por Michel Thibault, tem como natural figura de proa o pensador francês Alain de Benoist, que ficou conhecido como o “pai” da chamada Nova Direita. Este não só é responsável por vários artigos de fundo e reflexões pertinentes, como também assina o editorial com o pseudónimo Robert de Herte.

O número referente ao último trimestre de 2012 desta “revista das ideias” é alargado e tem 96 páginas. O tema central é o das chamadas “teorias de género”, que partem do princípio que a identidade sexual é o resultado de uma construção social. Assim, as mulheres não seriam oprimidas se não existisse o conceito de “mulher”. Para os partidários desta corrente de pensamento, é então necessário destruir as categorias de “homem” “mulher”, que não existem, para libertar a humanidade. Por mais que nos possa parecer estranho, estas são posições que ganham cada vez mais adeptos e influência. Para as contrapor, este ‘dossier’ oferece vários artigos com argumentos inteligentes e fundamentados. Destes há a destacar os artigos de Alain de Benoist “Viva a diferença!”, que recorre à biologia, à neurobiologia e à psicologia evolucionária para responder à pergunta “o ser humano é ‘neutro’ em matéria de sexo?”, e “Abaixo os homens!”, sobre o novo feminismo moralizador e repressivo, e o artigo de Xavier Eman sobre a rede social Facebook, a infidelidade conjugal e o divórcio.

De referir, também, a entrevista com Myret Zaki, chefe de redacção de uma revista económica suíça que afirma que o doar se tornou a maior bolha especulativa da História. Sobre o caso Richard Millet, cuja publicação de “Elogio Literário de Anders Breivik” em apêndice ao seu ensaio “Língua Fantasma” gerou uma tempestade editorial e política em França, podemos ler os artigos de Michel Marmin, Gabriel Matzneff e Olivier Maulin, e a entrevista com Pierre-Gillaume de Roux feita por Pascal Eysseric.

Uma curiosidade para portugueses, no artigo de Pierric Guittaut sobre o romance policial, é a utilização para ilustração de uma capa de uma edição nacional de “O Pregador”, de Erskine Caldwell, com um desenho de Paulo-Guilherme d’Eça Leal.

Por fim, atenção para os artigos de Jean de Lavaur sobre Christopher Lasch, intitulado “O homem revoltado contra a mercadoria”, e a entrevista com o filosofo italiano Contanzo Preve.