domingo, 30 de setembro de 2012

As brigadas internacionais de Franco


Hoje, às 22 horas portuguesas, o Méridien Zéro, a emissão francesa da Radio Bandiera Nera, tem como convidado Sylvain Roussillon, autor do livro "Les Brigades internationales de Franco", sobre os voluntários estrangeiros que se bateram no campo nacionalista na Guerra Civil de Espanha, nos quais se incluíam portugueses.

sábado, 29 de setembro de 2012

Recordar Nimier


Jaime Nogueira Pinto recordou ontem o escritor hussard Roger Nimier (31/10/1925 - 28/9/1962), no semanário "Sol", aqui fica um excerto:

«Nimier morreu precisamente há cinquenta anos, na noite de 28 para 29 de Setembro, ao volante de um Aston-Martin, ao lado de uma mulher bonita. Não se suicidou como Drieu, nem acabou de velho como o seu amigo Paul Morand. Morreu na estrada, como Camus dois anos antes, ou James Dean em 1955. Seis dias antes já morrera assim outro dos nossos inspiradores – Jean René Huguenin, o autor de um romance único, La Côte Sauvage.
Nimier nascera em 1925, em Paris. Boa burguesia, pai normando, mãe da Piccardie. Não tinha idade para ter tomado posições na guerra e na ocupação, mas alistou-se no Deuxième Hussard, a seguir à Libertação e entrou em combate. Licenciou-se em Filosofia, começou a escrever, passou por editoras e revistas. E começou uma carreira relâmpago de romancista e guionista e enfant terrible. Li entre os quinze e os vinte anos os seus romances – Les Épées, Les Enfants Tristes, L’Hussard Bleu, Histoire d’un Amour.
Na altura, estava a sair de uma adolescência tímida de grandes leituras e paixões silenciosas para uma adolescência activista – onde continuaram as leituras e as paixões, mas já não a timidez. Os heróis de Nimier eram insolentes, apaixonados, secretos e ajudaram-me, por sugestão e imitação, a desenhar um imaginário que foi servindo, também, para modelar a realidade. Era uma direita literária e política não conformista, insolente, que quebrava os tabus da cultura instalada na Rive Gauche, entre o papado de Sartre e os dogmas da superioridade ética e estética das esquerdas.
»

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A queda

A mensagem mais importante a reter das recentes manifestações contra as medidas de austeridade e o Governo é a de que a mobilização, apesar da habitual tentativa de colagem e aproveitamento dos partidos das esquerdas, se deveu a um distanciamento do sistema.

Pode até parecer um palavrão sem sentido, mas o que é facto é que um número considerável dos presentes afirmava claramente estar ali porque o acto, pelo menos para eles, “nada tinha que ver com partidos ou sindicatos”.

O que está aqui em causa é o desacreditar da representação democrática tal como está instituída. Perante o empobrecimento generalizado e a ameaça do agravar da situação, a classe média urbana, sustentáculo do regime, põe em causa a manutenção do ‘statu quo’ e pode abrir as portas a uma alteração política profunda.

O caso não é apenas nacional, obviamente, e um processo de mudança radical só poderá verificar-se num contexto europeu, como aliás temos assistido historicamente.

No entanto, por cá, vamos tendo cada vez mais demonstrações de que as instituições governativas estão desacreditadas. Exemplo disso é o resultado da sondagem, divulgada pela imprensa, que revela que 87 por cento dos portugueses estão desiludidos com a democracia. Ao mesmo tempo, vemos que há uma ampla crença de que o futuro vai ser pior e os partidos do chamado “arco do poder” caiem nas intenções de voto.

Tal como em 1926 e em 1974, as massas não sabem o que querem, mas sabem muito bem o que não querem. Uma insatisfação cuja reacção pudemos assistir no 28 de Maio e no 25 de Abril.

Nas elites, a desconfiança também grassa. O ambiente interno nos grandes partidos é caótico – a falta de dinheiro para as prebendas põe em causa o tachismo. Por outro lado, muitos são os que propõem um governo tecnocrático, nomeado à revelia de eleições, à semelhança do que aconteceu noutros países europeus. Em nome da manutenção do bem-estar possível, ou crível, instaura-se a ditadura económico-financeira dos credores internacionais.

Não nos iludamos. Os sinais são claros. Estamos a assistir à queda.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A grande História


"O fascínio da aventura, da proeza, da afirmação militar, das grandezas do Afonso de Albuquerque e de D. Francisco de Almeida. Isso continua a fascinar, mesmo quando nós não gostamos de o confessar. Essas são as grandes histórias que podemos contar. A grande história não é a da formação do Bloco Central entre 1983 e 84, com Mário Soares e Mota Pinto. A grande história é dobrar o cabo da Boa Esperança, a grande história é chegar à Índia, a grande história é conquistar Goa, a grande história é defender o Brasil dos holandeses… A grande história é a das aventuras, com emoção, a história que abre horizontes."

Rui Ramos
in "Público"

Fogo fátuo

O escritor francês Pierre Drieu la Rochelle foi por muitos condenado à lista dos “malditos”, pelas suas ideias políticas. No entanto, o seu extraordinário talento conseguiu derrubar muitas barreiras e ultrapassar a intolerância dos que se consideram donos da verdade. Talvez por isso só este ano é que a sua obra foi publicada na prestigiada biblioteca da Pléiade. Em 1931, publicou “Le feu follet”, um romance inspirado no suicídio do seu amigo Jacques Rigaut, um escritor dadaísta toxicómano. A obra seria passada ao cinema em 1963 por Louis Malle, que a adaptou à época e na qual o protagonista, interpretado por Maurice Ronet, era alcoólico.

Em entrevista, Joachim Trier disse que chegou até ao livro de Drieu depois de ver o filme de Malle. Daí veio a ideia de transpor a história para a Oslo dos nossos dias. O resultado foi impressionante.

Anders é um toxicodependente que está internado numa clínica de recuperação. No último dia de Agosto é autorizado a sair por um dia para ir a Oslo a uma entrevista de emprego numa revista. Neste regresso à cidade, que também é um regresso ao seu passado, vai encontrar-se com os amigos e locais dos quais se tinha afastado.

A sobriedade mostra-lhe a realidade como ela é. Algo que está longe de ser bom e uma das razões que o levaram ao abuso de drogas e álcool.

Anders tem 34 anos e sente que nada fez na vida e que nada tem a fazer. As experiências dos amigos que reencontra apenas confirmam as suas intenções. O mundo que ele redescobre nada tem para lhe oferecer. A única solução é partir.

Nesta denúncia da vacuidade do mundo em que vive, há duas cenas memoráveis e extremamente bem conseguidas. Uma é o monólogo interior no qual Anders descreve os seus pais e a forma “aberta” como foi educado. Outra é quando está sozinho num café e ouve as conversas fúteis que pairam à sua volta. Momentos para reflectirmos...

O último dia da vida de Anders é a revolta solitária contra o mundo pós-moderno. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Frase do dia

“Seguro não quer este Governo mas também não quer ir para o governo.”

Pedro Lomba
in “Público”

Às três tabelas

Gostamos sempre de imaginar que os grande líderes de outro tempo tinham como jogo predilecto o xadrez. Pode até não passar de uma ideia romântica, mas seja como for estes tinham em mente o grande tabuleiro da política e guiavam-se por uma estratégia de longa duração.

Nos dias que correm, a política moderna está seccionada pela duração dos mandatos e, apesar de continuarmos a ter discursos que salientam “o interesse nacional” ou o “patriotismo”, cada vez mais vemos que os negócios comandam uma actividade que devia exclusivamente servir o País.

Se é verdade que não existe um “tempo dourado” e impoluto, nem a ele podemos regressar, não deixa de ser evidente que a situação tem piorado gradualmente.

É por isso que os governantes de agora mais parecem jogadores de bilhar, numa cave de uma taberna menos recomendável. Para atingirem o seu objectivo jogam às três tabelas.
O primeiro é, obviamente, conseguirem a respectiva eleição e chegar ao cargo pretendido, com poder decisório. Uma vez lançados por esta primeira “tabela”, passam à fase seguinte, na qual vão aproveitar para fazer os negócios que conseguirem. Veja-se como exemplo as privatizações, que são verdadeiras vendas a grandes grupos económicos, normalmente de capital estrangeiro. Por fim, a terceira “tabela”, na qual se garante um lugar de luxo numa das empresas beneficiadas, um autêntico salário futuro por serviços prestados. O objectivo é assim atingido. Depois destes três movimentos, aí vão eles para outro país, matando as saudades com ordenados milionários. Estes sim são “cidadãos do mundo” – globalizado, entenda-se – já que a sua pátria, à qual pouco ou nada os prende, funciona como um degrau numa ascensão que tantas vezes é meteórica.

Este “bilhar” político não é exclusivo deste ou anteriores governos. Começa a ser uma ‘praxis’ comum a quem atinge o poleiro, mesmo que por pouco tempo. O exemplo, agora, não vem mesmo de cima...

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Casamento zombie

Foi na sessão de abertura da 6.ª edição do MOTELx, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, na sala maior do Cinema São Jorge, completamente lotada, que foi projectado “REC 3: Génesis”, o mais recente filme da série de terror espanhola iniciado com “REC”, em 2007.

Paco Plaza está desta vez sozinho como realizador deste filme que, ao contrário dos dois primeiros, não assenta em filmagens encontradas. Tem uma primeira parte filmada por uma das personagens com uma pequena câmara de vídeo, um primo convidado ao casamento de Koldo e Clara, mas depois é filmado numa perspectiva cinematográfica e não na primeira pessoa.

O grande dia para este casal de apaixonados, que foram feitos um para o outro, vai ser muito diferente do que eles esperavam. Durante todo o início do filme, assistimos a um casamento espanhol, com uma série de personagens típicas que servem para uma óptima e divertida critica social. Do tio bêbedo ao amigo mulherengo, passando pelo avô surdo, há uma série de momentos cómicos muito bem conseguidos.

Mas a festa vai azedar e, de um momento para o outro, um surto infeccioso vai começar a transformar os presentes em ‘zombies’. Koldo e Clara acabam por separar-se no meio da confusão que se instala, mas os seus corações dizem-lhes que as suas caras-metades continuam vivas. Não descansam enquanto não se encontram. Mas será que conseguirão escapar ilesos dos mortos-vivos que os perseguem?

Um filme divertido que, apesar de alguns momentos ‘gore’, não representa aquele estilo do terror assustador, mas antes um registo cómico.

Entretanto, está já previsto um quarto filme, que encerrará a série, intitulado “REC 4: Apocalipse”. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

domingo, 16 de setembro de 2012

Setembro negro


Sete Cavaleiros

A trilogia dos “Sete Cavaleiros” juntou dois grandes talentos: um grande romancista, Jean Raspail, e um grande autor de Banda Desenhada, Jacques Terpant. O resultado não podia ser melhor e os álbuns, de extraordinária qualidade e beleza, transportam-nos para um mundo trágico que é uma alegoria ao nosso.

Jean Raspail é um grande romancista francês e autor de uma extensa obra. Foi também explorador e viajou durante trinta anos conhecendo pequenas civilizações em vias de desaparecer. A sua obra mais famosa e mais polémica foi “Le Camp des Saints”, que seria traduzido e publicado em Portugal pelas Publicações Europa-América, em 1977, com o título “Mortos: 200 Milhões - Todos Nós”. Publicado em 1973, em França, o livro foi uma verdadeira bomba incendiária. De uma qualidade literária indiscutível, versava sobre um tema polémico e provocou um intenso debate. Esta parábola sobre o futuro da Europa, na qual um milhão de pobres vindos do terceiro mundo desembarcavam nas costas francesas, alterando com a sua invasão pacífica toda uma civilização, foi considerada “racista” pelos sectores do costume e viria a revelar-se verdadeiramente profética. Depois de vários anos sem ser publicado, o livro foi recentemente reeditado, alcançando um êxito de vendas considerável. Numa entrevista recente, Raspail afirmou que sabe muito bem o que é uma civilização que vai desaparecer e que esta “se deve defender antes de desaparecer”.

A história agora vertida à Nona Arte é retirada do seu romance “Sete cavaleiros deixaram a cidade ao crepúsculo pela porta do Oeste que já não estava guardada”, publicado em 1993.

Jacques Terpant, é um ilustrador, pintor e autor de Banda Desenhada, conhecido pelas séries “Messara”, passada na Antiguidade, e “Piratas”, publicada pela Casterman. Os “Sete Cavaleiros” valeram-lhe o Prémio Saint-Michel para o Melhor Desenho, em Bruxelas, no ano passado.

O primeiro volume da trilogia dos “Sete Cavaleiros” foi publicado em 2008 pelas edições Robert Laffont, mas como considerou o próprio Jacques Terpant estes “reveleram-se como totalmente incompetentes na sua difusão”. Tal motivou a mudança para a Delcourt que, no ano seguinte, reeditou o primeiro tomo, com oito páginas suplementares ilustradas com notas complementares sobre “O Mundo dos Sete Cavaleiros”, publicou o segundo, intitulado “O preço do Sangue”. Em 2010 a saga era concluída com a saída do último tomo, “A ponte de Sépharée”.

Como o título da obra original indica, a história é a de sete cavaleiros que deixam a cidade do Margrave hereditário que outrora foi próspera e pacífica, mas que agora está ameaçada. Este punhado de homens, bastante diferentes e simbólicos, mas unidos entre si na disciplina, na fé e na preservação do seu reino, tem como missão encontrar a soberana herdeira, a Margravina Myriam. Na sua senda, vão encontrar resistentes isolados e fiéis aos costumes antigos, bem como várias ameaças tanto internas como externas, já que “do outro lado das montanhas” está quem avança para destruir e conquistar a sua civilização. Uma sociedade europeia moribunda que depende destes homens, movidos apenas pela esperança e pelo sentido do dever. Como afirmou Terpant, “a cidade do Margrave hereditário é ao mesmo tempo tangível e imaginária, um reino que pode ser no fim do século XIX, nos confins da Europa e da Ásia, uma Sildávia de Jean Raspail”.

Tudo se passa num cenário maravilhosamente construído pelo talento e cuidado de Jacques Terpant, que dá uma atenção extraordinária ao pormenor, conferindo aos álbuns uma riqueza gráfica impressionante. Nota para um pormenor curioso, a ilustração do Margrave hereditário é feita a partir do próprio Jean Raspail. Uma bela homenagem a um autor de referência.

A união destes dois raros talentos produziu uma obra-prima. Felizmente, não se ficou por aqui. No ano passado saiu “Oktavius”, o primeiro dos quatro volumes da série “Os Reinos de Bóreas”, baseado no romance homónimo de Raspail, publicado em 2003 e traduzido e editado entre nós pelas Publicações Europa-América, em 2005. Aguardemos a continuação deste óptimo encontro.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

“Fascistas”

A propósito da “História de Portugal” coordenada por Rui Ramos, que foi um sucesso de vendas e depois distribuída em fascículos pelo “Expresso”, Manuel Loff fez uso do seu espaço de opinião no “Público” para atacar o co-autor responsável pelo período contemporâneo dizendo que este fazia uma defesa ou um branqueamento do Estado Novo.

Não é difícil perceber qual o posicionamento ideológico de Loff quando dá a entender que alguém que considera incómodo é “fascista”. Acontece que a “História de Portugal” de Rui Ramos foi um êxito comercial apreciado pelo público em geral e este historiador não se submete à ortodoxia das esquerdas que tomaram a Universidade.

A seguir ao 25 de Abril, os guardiões ideológicos da “revolução” sabiam bem que era absolutamente necessário dominar o poder cultural. Na Academia, as áreas de Letras foram naturalmente as mais afectadas. No caso concreto da História era de extrema importância controlar a História Contemporânea, já que ter a chave deste passado imediato lhes conferia uma superioridade moral. Já dizia Orwell, no seu distópico “1984”: “Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado”.

Mais, a amplitude da estúpida e errada definição de “fascismo” utilizada tem um único propósito – permitir que seja aplicada quando e a quem se quiser. É o gasto argumento falacioso da ‘reductio ad Hitlerum’, segundo lhe chamou Leo Strauss. Como escreveu Pedro Lomba a respeito deste caso, no “Público”, o alvo era Rui Ramos, “mas qualquer outro, de ideias muito diferentes, podia estar no seu lugar”.

Não se pense que Loff é um caso isolado. Há muitos como ele que, ainda hoje, na sombra, se regozijam pelos ataques que desferiu. Ainda existem por aí muitos ditos historiadores que se orgulham de “fazer História para combater o fascismo”. É a perspectiva dos olham para o passado interpretando-o em função de quem consideram os “bons” e os “maus”.

Num debate sério não há lugar para os que se julgam donos da verdade.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Troikismo

“O país ficou sujeito ao ditame: "a troika decide, está decidido". Funcionários internacionais mandam. Eleitos democráticos obedecem. Signatários de memorandos distraem-se…”

Bagão Félix
in "Público".

MOTELx 2012


Choque de civilizações


Publicado em 2009 pelas edições Chronique, “Chronique du choc des civilisations” (Crónica do Choque das Civilizações), em formato de álbum e profusamente ilustrado, mostra-nos como dos atentados de 11 de Setembro de 2001 à crise dos mercados financeiros em 2008 a História conheceu uma extraordinária aceleração. A emergência de uma China com ambições planetárias, a expansão do islamismo radical, a revolta dos povo latino-americanos e o regresso da potencia russa fez nascer um mundo multipolar. O livro propõe uma análise dos maiores acontecimentos geopolíticos mais recentes à luz da continuidade histórica. Chauprade propões uma “grelha de leitura” do mundo actual e das suas fracturas.

Em 2011 saiu uma segunda edição revista e aumentada que vai até às recentes revoluções árabes, passando também pelos despertares africanos, o desafio migratório mundial e o fim de Osama Bin Laden, enriquecendo esta obra essencial para compreender o nosso mundo e as lutas implacáveis das relações internacionais.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Frase do dia

"Subitamente, viver em Portugal tornou-se ainda mais perigoso."

Pedro Lomba
in "Público"

Dario Argento no MOTELx

A 6.ª edição do MOTELx, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, regressa ao Cinema São Jorge de 12 a 16 de Setembro, com destaque para a presença de Dario Argento.


Em mais uma edição de um festival que se tornou uma referência, teremos a projecção de 52 filmes, onde se incluem 10 filmes portugueses nomeados para o Prémio MOTELx - Melhor Curta de Terror Portuguesa 2012, que este ano receberá o Méliès d’Argent, ficando seleccionada para o Méliès d’Or Melhor Curta-metragem Europeia. Nota para o regresso do “Japão Retro”, que apresenta uma selecção dos trabalhos de Nobuo Nakagawa, neste Festival que oferece ainda muito mais.

Mas o destaque vai para a presença do maior nome do Terror europeu, Dario Argento. Na retrospectiva de cinco filmes dedicada ao cineasta italiano, podemos ver algumas das suas obras fundamentais como “Suspiria” (dia 15, às 21h45), as duas outras partes da trilogia “As Três Mães” (“Inferno”, de 1980, dia 14, às 14h45, e “La Terza Madre”, de 2007, dia 13, às 14h45), “O Mistério da Casa Assombrada”, de 1975 (dia 12, às 22h) e “Demoni”, de 1985, realizado por Lamberto Bava, mas escrito e produzido por Argento (dia 16, às 14h30).

Ideias incorrectas

O caso é praticamente desconhecido fora de França. Em 2009, Aymeric Chauprade, um eminente geopolitólogo, foi afastado das suas funções docentes na Escola de Guerra por razões políticas, depois de ter publicado um livro onde refere algumas teorias que contestam a versão oficial do 11 de Setembro.


Doutorado em Ciência Política, Aymeric Chauprade é um geopolitólogo francês, discípulo de François Thual, responsável pelo nascimento de uma “nova escola” de Geopolítica em França. Ao longo da sua carreira tem publicado diversas obras, colaborado em várias revistas, sendo director da “Revue française de géopolitique”, e ensinado em várias universidades. Entre 1999 e 2009 foi professor no Collège interarmées de defense (CID), a antiga Escola de Guerra, até ser afastado pelo que escreveu.

No seu livro “Chronique du choc des civilisations”, Chauprade dedica um capítulo aos diferentes argumentos e teorias que contestam a versão oficial dos atentados de 11 de Setembro. Na sequência, jornalista Jean Guisnel publica um artigo no jornal “Le Point” criticando-o pelo que escreveu e duvidando da sua autoridade científica. Na sequência desta “denúncia”, o ministro da Defesa, Hervé Morin, decidiu afastar Chauprade do CID. Era a altura do segundo Governo de François Fillon e a França alterara a sua postura internacional para um atlantismo pró-EUA. Chauprade apresentou queixa contra o jornal e o ministro e o tribunal acabou por dar-lhe razão. Para além de vencer a batalha judicial, Chauprade contou sempre com o apoio dos seus alunos e mesmo do director do CID durante a controvérsia, que afirmaram que ele “nunca havia feito proselitismo nas aulas”.

Mesmo assim, o caso não deixa de ser uma mancha num sistema democrático, onde um ministro decidiu cercear a liberdade de um professor e investigador reputado.

Dia d'O Diabo


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Dos donos da História

«O que Fernando Rosas sugere, de facto, é que há coisas que só alguém com as credenciais partidárias de Fernando Rosas pode dizer sem que isso justifique de imediato uma suspeita política. É isso que eu rejeito: a História não tem donos, Fernando Rosas.
Fernando Rosas sabe do que falo. Ele não foi sempre juiz. Já foi réu. Também Fernando Rosas, em tempos, foi acusado de “branquear” o salazarismo. Por quem? Por Álvaro Cunhal, em 1999 (ver A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril, Edições Avante, pp. 38-45). Na caça às bruxas, por mais ortodoxo que alguém seja, há sempre alguém ainda mais ortodoxo. Fernando Rosas continua a ter paciência para essa velha rábula. Eu, não.»

Rui Ramos
in "Público".

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O fardo do Homem branco

O título do poema de Rudyard Kipling transformou-se numa expressão que normalmente se associa ao dever que os povos de origem europeia tinham de desenvolver os outros povos, considerado como uma manifestação de um racismo eurocêntrico.

Hoje o “fardo” é outro. Incrivelmente, passados tantos anos, os europeus continuam a ser repetidamente culpabilizados pelo actual estado dos países que outrora dominaram.

No seu livro “Civilização”, o historiador Niall Ferguson fala do domínio do Ocidente sobre os outros e escreve: “Nenhum autor sério poderá afirmar que o reinado da civilização ocidental foi imaculado. Contudo, há quem afirme que não teve absolutamente nada de bom. Esta posição é absurda”.

Numa das suas últimas entrevistas, o historiador Vitorino Magalhães Godinho explicou que, por não existir “a ideia de nação” em África, os novos países construíram “um passado próprio”, passando “a dizer que tudo quanto os colonizadores tinham trazido era mau, que eram todos uns criminosos, que tinham que pedir desculpa. E os europeus desataram a pedir desculpa.” Recusando tais pedidos de desculpa, afirmou: “O que é condenável é esconder o que se passou. Mas eu não tenho nada que ver com o que fizeram os homens do século XV. A culpa não se transmite de pais para filhos, não é hereditária.”

Sobre o polémico tema da escravatura, disse que esta “existia entre os povos africanos, os portugueses utilizaram as redes de escravaturas existentes. Os régulos gostavam muito de vender os seus negros como escravos. E isso permanece”. Traçou ainda a continuidade dessa postura até aos “actuais chefes políticos dos estados africanos, a cujos bolsos vão ter os subsídios atribuídos aos seus países”.

É tempo de acabar de vez com o fardo da culpabilização unívoca.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Frase do dia

“Não será exagerado dizer que há crimes educativos e que, provavelmente, o maior cometido entre nós foi a abolição, após o 25 de Abril, do ensino técnico-profissional.”

Carlos Fiolhais
in “Público”.

sábado, 1 de setembro de 2012

Uma viagem às redacções de outro tempo...

Arturo Pérez-Reverte é um dos escritores espanhóis contemporâneos de maior sucesso e talento que, antes de se dedicar apenas aos livros, foi jornalista e cobriu vários conflitos como repórter de guerra. Numa das suas crónicas mais recentes, intitulada "Siéntate aquí, chaval", faz uma viagem às redacções de outro tempo. Uma prosa a não perder, para se perceber como este ofício mudou, o que se perdeu e o estado actual da imprensa.