terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O Estado das Direitas

Decorre nos próximos dias 1 e 2 de Fevereiro, das 10 às 17 horas, na Sala Polivalente do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), o colóquio com o tema “O Estado das Direitas na Democracia Portuguesa”, organizado por Riccardo Marchi.



Na linha do seminário dedicado ao estudo histórico e político das direitas portuguesas intitulado “As raízes profundas não gelam? - Ideias e percursos das direitas portuguesas”, realizado em Novembro de 2010, o investigador italiano radicado em Portugal Riccardo Marchi, autor dos livros “Folhas Ultras - As ideias da direita radical Portuguesa (1939-1950)” e “Império, Nação, Revolução - As Direitas Radicais Portuguesas no Fim do Estado Novo (1959-1974)”, organiza agora o colóquio “O Estado das Direitas na Democracia Portuguesa”.
O foco de análise neste colóquio é o Estado no seu duplo significado de “Condição” e “Ordenamento político-jurídico”. Como nos explica a apresentação, “por um lado, a ‘condição das Direitas’ na sua dimensão política e cultural, numa perspectiva diacrónica desde a institucionalização da democracia até aos nossos dias. Por outro lado, o ‘projecto institucional’ das Direitas na sua dimensão nacional e internacional, numa perspectiva de futuro”.
O colóquio será dividido em dois painéis por dia, aos quais se segue um período de debate. No primeiro, “Direitas e partidos”, moderado por Riccardo Marchi, falarão Tiago Fernandes, sobre “Direita e qualidade da democracia: Portugal em perspectiva comparada (1974 – 2010)” e José Pedro Zúquete, sobre “Direita, genética: entre o passado e o presente”. O segundo, subordinado ao tema “Direitas e Cultura”, terá as intervenções de Patrícia Silva, com a comunicação “Direitas e discurso político: O CDS entre passado e presente”, Alexandre Franco de Sá, com “Direita, Hegemonia e Filosofia Política”, e Pedro Mexia, com “Direitas e Artes”, e será moderado por José Pedro Zúquete. No segundo dia, o painel da manhã, com o tema “Direitas e Estado”, será moderado por Tiago Fernandes e terá como intervenientes Pedro Lomba, com a comunicação “As Direitas e o Estado na arquitectura constitucional”, João Pereira Coutinho, com “As Direitas e a relação entre o Estado e os Corpos intermédios”, e António Araújo, com “As Direitas e a relação entre o Estado e a Sociedade”. O último painel, intitulado “Direitas e Poderes”, com moderação de António Costa Pinto, terá as comunicações “As Direitas, o Estado e o Supranacional (Europa e Comunidade Internacional)”, de Marina Costa Lobo, e “As Direitas e o Estado face ao mercado”, de André Azevedo Alves. A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Terre & Peuple Magazine n.º 50


O último número da "Terre et Peuple Magazine" tem como tema central "Amanhã o Apocalipse?" e inclui excelente um dossier com artigos de Pierre Vial, Jean Haudry, Robert Dragan, Yvan La Jehanne, Alain Cagnait, Aristide Corre e Roberto Fiorini. Nota para o editorial de Pierre Vial, "Rebeldes, revoltados, revolucionários". Destaque ainda para o artigo de Claude Perrin sobre os Hiperbóreos, a entrevista com Jean-Patrick Arteault sobre as raízes do mundialismo ocidental, o artigo de Yvan La Jehanne sobre o "Nosso paganismo", e o artigo de Tomislav Sunic intitulado "A Figura do Rebelde: A balcanização do sistema, Ernst Junger e o fim dos tempos". Como habitualmente, podemos ainda ler outros artigos e as secções de notícias, crítica a livros e revistas, e actividades da associação.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Chesterton no Méridien Zéro


Hoje, o programa Méridien Zéro terá como tema o escritor G.K. Chesterton e tem como convidado Philippe Maxence. A emissão tem início às 22 horas portuguesas e pode ser seguida através da Radio Bandiera Nera.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A cultura alternativa vive

Está disponível o número 4 da “Finis Mundi – A Última Cultura”, um exemplo de como há espaço no nosso país para uma revista cultural alternativa de qualidade, que tem vindo a mostrar uma óptima evolução.



Dirigida pelo Flávio Gonçalves, a “Finis Mundi – A Última Cultura” é a concretização de um projecto do qual muitos duvidaram, considerando não haver espaço para uma revista de cultura alternativa em Portugal. Agora, já com quatro números publicados e um ano de existência (talvez devêssemos dizer persistência), não só desmentiu os cépticos e pessimistas, como se foi melhorando substancialmente, numa evolução natural, para uma publicação que se quer de referência. O conteúdo desta revista assumidamente para-académica é fornecido por uma rede de académicos e intelectuais (nacionais e internacionais) e gerido por um Conselho Científico e pelo director.

Neste número 4, relativo ao último trimestre de 2011, Flávio Gonçalves afirma, em editorial, que apesar do primeiro aniversário da revista e da boa recepção e crítica positiva, não baixará a guarda e que quer fazer mais e melhor. Acrescenta ainda que “por estarmos a assistir a um ‘finis mundi’ tal não quer dizer que assobiemos para o lado e não nos esmeremos”. Uma postura a saudar.

O variado conteúdo está dividido em cinco secções, a saber: “A Última Cultura”, “Actualidade”, “Resenha”, “História”,”Cultura” e “Tradição”. Na primeira, para além do editorial, podemos ler os artigos “A Balcanização do Sistema, Ernst Jünger e Os Dias do Fim”, do ex-diplomata croata Tomislav Sunic, “O Fim de Portugal e o Seu Futuro”, de Renato Epifânio, e “Sociopatologia, o ónus da Inversão social e subse quente involução civilizacional e da Pessoa Humana”, de João Lino Santos. Na secção de actualidade, o destaque vai para os artigos “Não derretam os escudos”, de Rainer Daehnhardt, “Geração Erraste”, do jornalista João Filipe Pereira, “Prossegue o Rapto da Europa”, de João Franco, e, especialmente, para “A Imigração, exército de reserva do Capital”, do pensador francês Alain de Benoist. Na secção de História, há a destacar os artigos “Bandeirantes: A Canoa contra o Cavalo”, de Alberto Buela, “A descoberta portuguesa da ‘Grande Terra do Sul’ e da Nova Zelândia”, de Kerry Bolton, “O Integralismo Lusitano”, de Vítor Figueira Martins, e, principalmente, “Portugal: Do Integracionismo Imperial ao Etno-nacionalismo. Pistas de investigação, do historiador e investigador italiano sedeado no nosso país Riccardo Marchi. Na secção cultural, refira-se o artigo sobre “A Chegada de Corto Maltese a Portugal”, de Mário Casa Nova Martins, e “Reconquistar Tudo: Identidade”, do filósofo italiano Adriano Scianca. Por fim, na secção “Tradição”, o destaque vai para os artigos “As Festividades de Solstício de Inverno nos Açores”, de Luís Couto, “A Doutrina da União Divina na Tradição Helénica”, de Claudio Mutti, e “Lar: O Fogo Central”, de Luiz Pontual.

Última referência para a apresentação gráfica que foi profundamente renovada e está de parabéns. Não só pela sobriedade chamativa da capa, como pela paginação cuidada e a escolha e tratamento das imagens que ilustram os artigos, até ao pormenor do logótipo do cabeçalho.

A “Finis Mundi” é uma voz dissidente num mundo uniformizado pelo politicamente correcto. Um verdadeiro espaço de liberdade, reflexão e pensamento.

Encomendas para o endereço electrónico antagonistaeditora@gmail.com (disponível a opção de envio à cobrança). O preço da revista são 12 euros, e a editora oferece os portes. Também disponível através da Amazon.com.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Crise da Democracia

Cumpre distinguir entre a vontade da maioria e a vontade nacional. A vontade da maioria é consciente; a vontade nacional é inconsciente. Em determinada altura, determinada nação segue certo rumo; não o sabem os políticos, em geral, nem o sabe o povo.
Fernando Pessoa

O que se considera uma democracia? Se for uma questão de designação, podemos até incluir a Coreia do Norte. Fora de ironias, cada vez menos pessoas se identificam com o actual sistema político – que normalmente desconhecem – e desconfiam dos políticos, como classe considerada “corrupta”. Para muitos vivemos uma “partidocracia”, onde as “quadrilhas políticas”, como lhes chamou António Marques Bessa, tomam de assalto o poder. Talvez por isso não seja de estranhar o resultado do estudo revelado na semana passada, onde apenas 56% dos portugueses consideram que “a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo”. Algo de que as elevadas percentagens de abstenção eleitoral já eram um sinal.

A actual concepção de democracia assenta na existência de eleições livres e de direitos civis e políticos. Mas será que esta vai perdurar quando terminar a era do conforto económico?
O historiador francês Dominique Venner, no seu livro “O Século de 1914 – Utopias, Guerras e Revoluções na Europa do Século XX”, escreveu: “A democracia liberal, que apareceu nos Estados Unidos em fins do século XVIII, na esteira das tradições britânicas, estava associada a um desenvolvimento económico contínuo, do qual procedia. Ajustava-se a uma sociedade próspera, empreendedora, preocupada com a liberdade e a igualdade. Num contexto de crise social e política, como o da Europa em 1929, um tal sistema foi necessariamente substituído por um tipo de governo autoritário mais eficaz, que utilizava entre outros o instrumento, com provas dadas, de um partido único mais ou menos disfarçado.” Perante a actual crise, será que tomaremos um rumo semelhante?

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Frase do dia

"A angolanização do país tem um preço e é esse preço que nos custa encarar."

Pedro Lomba
in "Público".

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Mudar o jogo

Poucos portugueses perceberão alguma coisa de ‘baseball’, mas tal não deverá impedi-los de ver este filme. O desporto é aqui um cenário para uma história de vontade de mudança, de coragem e risco, como diz o título português, mas também de dinheiro, como diz o título original.
O argumento, escrito por Aaron Sorkin e Steven Zaillian, tem por base no livro de Michael Lewis, que conta a história verídica de Billy Beane, director-geral dos Oakland Athletics, que revolucionou um desporto até aos nossos dias.

Na preparação de uma nova época de Billy Beane (Brad Pitt), explica aos “olheiros” do clube, que o devem ajudar nas novas contratações, que em cima estão as boas equipas, por baixo estão as más, depois está um monte de esterco e só depois estão os Oakland Athletics. Com esta forma directa de falar, o todo-poderoso ‘general manager’, que responde apenas ao dono do clube, queria mostrar claramente que não havia dinheiro para competir com as milionárias equipas de topo. Aí se começa a notar de Beane está farto de forma, aparentemente imutável, de fazer as coisas no ‘baseball’.

Um dia cruza-se com Peter Brand (Jonah Hill), que lhe chama a atenção por não corresponder ao analista de jogadores típico. Descobre que ele é formado em Economia por Yale e que tem uma teoria revolucionária, assente em modelos matemáticos e estatísticos, na qual a formação de equipas não deve obedecer ao tradicional instinto, mas a dados concretos. Beane contrata-o e aplica este modelo, contra todas as resistências. A sua teimosia é impressionante, até ao fim. Mas a mudança fez-se e nada ficou igual.

Este é um filme americano, sobre um desporto americano e movido pela ideia de que os ‘underdogs’, os “pequeninos”, podem vencer os grandes. Que podem alterar as regras do jogo. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

domingo, 22 de janeiro de 2012

Méridien Zéro


Hoje, o programa Méridien Zéro recebe Pascl Esseyric e Patrick Pehel, da revista "Élements", e Olivier Meyer, da revista "Homère". A emissão tem início às 22 horas portuguesas e pode ser seguida através da Radio Bandiera Nera.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A imprensa e o (des)Acordo Ortográfico

O início deste ano foi marcado pela adopção do famigerado Acordo Ortográfico (AO) no ensino, nos textos oficiais e na Administração Pública. O Governo pretende, assim, dar a machadada final na ortografia nacional, esperando que todos se resignem. A maior parte das pessoas pouco ligou a esta questão até ver o AO a entrar-lhe, literalmente, em casa.

Como escreveu Miguel Esteves Cardoso, este Acordo foi “feito atrás das nossas costas, enquanto dormíamos, por quem estava sempre a acordar”. Mas, agora que está bem à nossa frente, não há desculpa para não o denunciarmos. Há mesmo a obrigação de o recusar de todas as formas ao nosso alcance. Uma delas é assinando a Iniciativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico (ilcao.cedilha.net).

No entanto, a imprensa tem neste caso um papel de especial importância. Mesmo nos órgãos que se apressaram no seguidismo ao AO, vários colunistas mantiveram o que agora se chama “a anterior ortografia”. Acontece que cada vez mais jornais começam a adoptar o AO, mesmo contrariados. É o caso do diário desportivo “A Bola”, um dos jornais mais vendidos em Portugal, que a partir de 2 de Janeiro último começou a escrever com as novas regras. Isto “apesar da divergência profunda e irremediável” e depois de “um tempo de silenciosa resistência a um acordo do qual profundamente discordamos”, nas palavras do seu director.

Foi uma triste notícia e um mau exemplo para todos os resistentes. Ainda assim, continuaremos a ter jornais escritos com duas ortografias. Foi esta a “unificação” que o AO trouxe, na prática.

Nós não adoptamos! (Escrito assim, correctamente, com o “p” que parece ser tão incómodo para alguns). Não é uma questão de teimosia, é por princípio e por dever enquanto portugueses.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

domingo, 15 de janeiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Ainda mais vozes contra o (des)Acordo Ortográfico

«A esquizofrenia é total, e os jornais são hoje mantas de retalhos. Há notícias, entrevistas ou reportagens escritas de acordo com as novas regras. As crônicas e os textos de opinião, na sua maioria, seguem as regras antigas. E depois existem zonas cinzentas, onde já ninguém sabe como escrever e mistura tudo: a nova ortografia com a velha e até, em certos casos, uma ortografia imaginária.
A intenção dos pais do Acordo Ortográfico era unificar a língua. Resultado: é o desacordo total com todo mundo a disparar para todos os lados.»

João Pereira Coutinho, in "Folha de São Paulo"

«Uma coisa é a absorção de modificações que se vão verificando, outra é a sua imposição por decreto. O Acordo Ortográfico é o produto não de uma evolução natural e impregnada na prática, não de uma necessidade de defesa e promoção linguísticas, mas tão-só a imposição de iluminados, que o Estado avalizou, menosprezando posições diferentes e ignorando a voz do povo soberano.O Acordo é também uma expressão de submissão às maiorias populacionais. Neste caso, do Brasil. Esquece-se que uma língua se enriquece na diversidade e se empobrece na “unicidade” por forçada via legal. Claro que há sempre prosaicas justificações mercantis (interesses?) em sua defesa e há quem vá ganhar com tudo isto.»

Bagão Félix, in "Jornal de Negócios"

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Nós e o Estado

Perante as crescentes dificuldades que enfrentam, muitos portugueses encontram no Estado o responsável por todo o mal que lhes caiu em cima. Este aparece normalmente enquanto entidade convenientemente abstracta, quando muito personificada num caricatural funcionário de uma repartição das Finanças. Num país onde a culpa habitualmente morre solteira, parece que culpar o Estado é o mesmo que atirar para trás das costas.

No entanto, ultimamente, parece que o Estado – será melhor dizer os governantes e o legislador – age de má fé contra os cidadãos. Vários casos recentes são ilustrativos. Veja-se o “apagão” anunciado à televisão, devido à introdução da TDT (mais uma sigla que é suposto conhecermos...), que obrigará os portugueses a gastar mais de 130 milhões de euros para continuar a ter algo que já tinham. Veja-se, também, a intenção de restringir totalmente o fumo em locais fechados, o que deitará para o lixo os milhões investidos pelos que, obrigados pela lei anterior, alteraram os seus estabelecimentos para ter salas para fumadores. Por último, e apenas para não ser exaustivo e maçador, o caso das chamadas “reformas douradas”. Depois de aprovadas as “medidas de contenção e austeridade”, que tantos de nós sentem já na pele, soube-se que foram atribuídas mais 385 dessas aposentações de luxo no ano passado, o que significa um aumento de 21,6 milhões de euros no encargo anual da Caixa Geral de Aposentações.

O Estado deve ser o reflexo de uma comunidade politicamente organizada. Não deve, nem pode – nunca –, estar contra os cidadãos. O Estado devemos ser nós. Cabe-nos mudar o estado do Estado.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Céline inédito

Disponível nos quiosques nacionais está o número especial da revista francesa “Lire” dedicado ao escritor “maldito” Céline. São cem páginas, a cores e sem publicidade, com vários conteúdos inéditos, para melhor conhecermos este mestre das letras francesas.







Em 2008, a “Lire” dedicou um número especial a Céline que foi um sucesso e rapidamente esgotou. Perante este êxito e as recentes polémicas que envolveram o escritor francês, decidiu agora fazer uma nova edição “enriquecida”, com vários conteúdos inéditos.

A abrir, um artigo de opinião reflecte sobre a ironia de ter sido durante o mandato de Sarkozy, um apaixonado pela obra de Céline, que este escritor foi banido das celebrações oficiais, pela mão do ministro da Cultura, Frédéric Mitterand. Como afirmou o actual presidente francês, “podemos gostar de Céline sem sermos anti-semitas, como podemos gostar de Proust sem sermos homossexuais”, mas nem assim se impediu a censura...

De seguida, há a destacar a entrevista com François Gibault, autor de uma enorme biografia sobre o escritor francês, a publicação do capítulo das Memórias do Coronel SS Hermann Bickler sobre o seu amigo Céline, o artigo onde se questiona se não devia republicar os chamados panfletos anti-semitas, quando hoje estão facilmente acessíveis através da Internet, e a versão integral da entrevista feita por Madeleine Chapsal, em 1957, cuja publicação no “L’Express” causou polémica na altura. Nos vários conteúdos inéditos, há a destacar a obra de Céline mais cara do mundo, um exemplar de “Morte a Crédito” ilustrado por Gen Paul, com a reprodução de vários guaches, e uma carta inédita de Céline a Gen Paul. Por fim, temos três páginas com uma selecção de livros de e sobre Céline.

Para os incomodados do costume, recorde-se o que escreve François Busnel no editorial, parafraseando Gallimard quando decidiu colocar Céline na Pléiade: “Fico contente com todos aqueles que isto vai chatear...”

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

The Stranger




















The Stranger within my gate,
He may be true or kind,
But he does not talk my talk–
I cannot feel his mind.
I see the face and the eyes and the mouth,
But not the soul behind.

The men of my own stock
They may do ill or well,
But they tell the lies I am wonted to.
They are used to the lies I tell,
And we do not need interpreters
When we go to buy and sell.

The Stranger within my gates,
He may be evil or good,
But I cannot tell what powers control
What reasons sway his mood;
Nor when the Gods of his far-off land
Shall repossess his blood.

The men of my own stock,
Bitter bad they may be,
But, at least, they hear the things I hear,
And see the things I see;
And whatever I think of them and their likes
They think of the likes of me.

This was my father’s belief
And this is also mine:
Let the corn be all one sheaf–
And the grapes be all one vine,
Ere our children’s teeth are set on edge
By bitter bread and wine.

Rudyard Kipling

Mais vozes contra o (des)Acordo Ortográfico

"A partir de 1 de Janeiro, ao que parece, é de vez: todas as entidades públicas são obrigadas a adoptar o Acordo Ortográfico, mediante o qual o Estado português vendeu, grátis, parte do seu património inalienável. O Expresso, como sabem os leitores, já é escrito em obediência a esse malfadado acordo. Mas sobra a liberdade para os colunistas que assim o desejem, e entre os quais me incluo, continuarem a utilizar nos seus textos a ortografia da língua que herdámos dos nossos pais e que gostaríamos de transmitir aos nossos filhos. Assim continuarei, pois, a fazer, com o grande conforto de saber que estou a fazer a coisa certa."

Miguel Sousa Tavares, in "Expresso".

"É fascinante que um pequenino bando de ociosos tenha decidido corromper a língua de milhões. O fascínio esvai-se quando se percebe que os ociosos atingiram os intentos. O Acordo Ortográfico, criação de arrogantes com uma missão, é oficial e está aí, perante a complacência dos poderes públicos em princípio eleitos para defender o país e não para o enxovalhar deliberadamente."

Alberto Gonçalves, in "Diário de Notícias".

"Gostaria também de dar uma boa nota a Nuno Crato. E fá-lo-ia sem reservas, não fosse a sua cumplicidade vergonhosa na adopção do Acordo Ortográfico nas escolas. Bem sei que a Universidade portuguesa, nomeadamente as suas escolas de Letras e de Direito, tem também graves responsabilidades em tal ignomínia, pelo silêncio tumular a que se tem remetido. O Governo e a Universidade são os grandes responsáveis por esse atropelo arbitrário de princípios elementares do Estado de Direito."

Vasco Graça Moura, in "Diário de Notícias".

domingo, 8 de janeiro de 2012

Panorama geopolítico das revoltas árabes


Hoje, o programa Méridien Zéro fará um panorama geopolítico das Revoltas Árabes e tem como convidado o historiador e jornalista Jacques Borde, especialista em geopolítica do mundo árabo-muçulmano. A emissão tem início às 22 horas portuguesas e pode ser seguida através da Radio Bandiera Nera.

E agora?

As dúvidas são grandes e a expectativa maior. Os receios quanto ao que será o futuro de Portugal e da Europa aumentam. O tempo das “vacas gordas”, da vida confortável e do futuro garantido chegou ao fim. O mundo mudou e o nosso país também. 2011 foi um ano de viragem e, no novo ciclo que se avizinha, nada será como dantes.


O ano transacto foi um annus horribilis para todos os que nos asseguravam que tudo ia correr bem. Os políticos do costume, bem instalados, viram a sua careca descoberta. Afinal, todo este progresso e desenvolvimento era ilusório. Comprado a crédito e hipotecando gradualmente o País a interesses estrangeiros. Com um endividamento geral, dos interesses do Estado às famílias, não tardou a que os credores nos batessem à porta. As dúvidas sobre a perda da nossa soberania esbateram-se com o início oficial de um semi-protectorado ou de um co-governo, como queiramos chamar. Mas Portugal não foi um caso único. A Europa foi vítima de repetidos ataques e a ditadura dos mercados mostrou a sua força ao fazer cair governos e colocando em seu lugar homens da sua confiança.

Portugal
No nosso país, percebemos que nem o fim do socratismo, nem as “medidas de austeridade e contenção” alteraram a situação perante os sempre atentos e intervenientes “mercados”, como agora se diz. Simultaneamente a esta perda de confiança nas instituições políticas e o questionar da validade das eleições enquanto instrumento popular de alteração da situação, vieram a descredibilização total no sistema judiciário, onde apenas quem tem posses razoáveis parece escapar, e a desconfiança nas instituições financeiras, com as falências de bancos e as repetidas fraudes. Os despedimentos, abaixamento do poder de compra e a subida da criminalidade aumentaram o sentimento de insegurança. O receio de um regresso ao Escudo, com a respectiva quebra do valor da moeda, assusta cada vez mais gente. Na rua, o nosso pessimismo agravou-se.
Perante tal cenário, os portugueses iniciaram de novo um êxodo. A taxa de emigração subiu vertiginosamente. Mas hoje, para além de técnicos qualificados, grande parte dos que saem não pensa voltar ou ser português. Como filhos da globalização, viver em Braga, São Paulo ou Nova Iorque é a mesma coisa. Esta verdadeira fuga coincide com outras – a fuga de capitais e de investimentos.
Grande parte dos portugueses deixou de acreditar em Portugal.

Europa
Também no resto da Europa, depois de anos ricos, as dificuldades apertam. A actual construção europeia treme com a força dos “mercados” e com as divisões internas. Mesmo a moeda única não parece resistir. O nosso continente é hoje um grupo de países sobreendividados, que viram passiva e alegremente a sua força produtiva partir para outras paragens, onde cada um tenta tratar da sua sorte, sem uma necessária estratégia comum.
Neste estado frágil, nada pior do que a situação conturbada que se vive no Mediterrâneo e no Médio Oriente. As várias revoltas a que se chamou a “Primavera Árabe”, pelos que apenas viam “a vinda da liberdade e da democracia a povos oprimidos”, abriram a porta aos islamitas, a uma maior instabilidade na região e à incerteza quanto ao futuro.

Mundo
A alteração do equilíbrio de forças no mundo ficou marcada pela influência crescente das chamadas potências emergentes. Com a China à cabeça, comprando dívidas e empresas estrangeiras e exportando produtos e mão-de-obra, percebemos como os parceiros do grande jogo da política mundial mudaram.
Os Estados Unidos da América, apesar da dívida e da crise económico-financeira, continuam a ser uma potência militar impressionante e a influenciar directamente a política externa. Quem acreditou numa “mudança”, já viu que afinal nada mudou. Os norte-americanos não abdicam dos seus interesses.

O fim da ilusão
Vivemos em fartura e, agora que sabemos que adversidades espreitam, somos forçados a mudar. Há sempre quem nos garanta horizontes de melhoria, que tudo vai ser como dantes em breve. O discurso dos “especialistas” do costume, dos optimismos oportunistas, é sempre o mesmo.
Mas uma coisa é certa e percebida – a festa da felicidade perpétua vai terminar. O reino da abundância chegou ao fim. Esta desilusão – no sentido profundo do termo – é também uma oportunidade. Um tempo para mudar de atitude e não descurar o que é realmente importante. A altura ideal para reencontrarmos valores essenciais, que foram sendo esquecidos e perdidos.

O nosso futuro
A futurologia é a disciplina predilecta dos comentadores políticos. Acontece que, ultimamente, com tantos erros de previsão e cálculos económicos, caiu em descrédito.
Numa altura em que os desafios se agigantam e as dificuldades nos estrangulam, há que redescobrir a fibra dos portugueses que ao longo da nossa História não vacilaram perante as maiores adversidades. Que mantiveram acesa até hoje a chama pátria e nos legaram a responsabilidade de perpetuar esse fogo sagrado. Reza o nosso hino: Levantai hoje de novo…
O nosso futuro pertence-nos. O nosso pior inimigo é a passividade em relação à condução dos nossos destinos enquanto país, a apatia generalizada face ao porvir de uma Nação da qual somos parte integrante.
O nosso futuro pertence-nos. Alea jacta est!

[publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

Histoire(s) de la Dernière Guerre n.° 16


O último número da revista "Histoire(s) de la Dernière Guerre" tem como tema central "Resistência ou colaboração: a escolha dos franceses" e oferece um dossier no qual o destaque vai para o artigo de Patrick Rouveirol sobre Saint-Loup.

sábado, 7 de janeiro de 2012

La Nouvelle Revue d’Histoire n.º 58


O número 58 de «La Nouvelle Revue d’Histoire», relativo aos meses de Janeiro e Fevereiro, disponível nas bancas nacionais, tem como tema central “Os intelectuais e a esquerda na Colaboração” e oferece um excelente dossier com vários artigos de Dominique Venner, Julien Hervier, Francis Bergeron, Alain de Benoist, Philippe d'Hugues, Charles Vaugeois e Antoine Baudoin. Destaque ainda para os artigos “Hanna Reitsch, uma aviadora alemã”, de Yvonne Pagniez, “1912. O apogeu da corrida aos pólos”, de Philippe Conrad, e “Mackinder, teórico da supremacia anglo-saxónica”, de Aymeric Chauprade, e a entrevista com Françoise Autrand. Como sempre, há ainda outros artigos e as secções habituais de actualidade e crítica de livros. Uma referência na divulgação histórica.

Máquina de escrever


Hoje decidi mostrar aos meus filhos uma máquina de escrever. Foi com a Rooy portátil, com teclado HCESAR, comprada pelo meu avô e que depois passou para a minha mãe e, finalmente, para mim, que lhes mostrei como se escrevia antes da era dos computadores. Foi bastante divertido, tanto para eles como para mim. Refira-se que, com mais de meio século de idade, ainda funciona perfeitamente. Um regresso ao passado. Uma máquina de escrever que serviu como máquina do tempo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Agente Amor

Nesta comédia romântica, que é a estreia na realização de Pascal Chaumell, descobrimos alguém com uma profissão no mínimo invulgar – um quebra-corações. Que, ao contrário do que nos leva a pensar o título, é mais um “quebra-relações”. Nesta sua actividade comercial, Alex Lippi (Romain Duris), é contratado para terminar com relações amorosas indesejadas ou mal vistas pelas famílias das visadas. Mas este galã, que desenvolve o seu negócio nas mais longínquas paragens, não usa apenas o seu charme, a sua experiência e o seu imutável, mas eficaz, discurso. Conta com a preciosa ajuda de um casal que com ele faz equipa, dando-lhe todo o apoio técnico e usando disfarces para construir o cenário de captura da “presa”.

Alex age como um verdadeiro agente secreto, numa piscadela humorística aos filme do tipo James Bond, mas tem princípios – só age quando as mulheres estão em relações infelizes.
Certo dia é contratado por um milionário com ar de mafioso que quer impedir que a sua filha Juliette (Vanessa Paradis) se case com um inglês. O problema é que desta vez a relação parece perfeita, mas a situação financeira empurra Alex para um difícil trabalho, ainda por cima feito contra o tempo. Será que conseguirá atingir o seu objectivo, como sempre? Ou será que, desta vez, o amor prega uma partida ao quebra-corações?

O humor clássico da traulitada na cabeça, ou da garfada na perna, alterna com piadas de registo europeu, de estilo francês, mais sofisticadas. É o caso do ‘roquefort’ comido pela manhã, do gozo com os sotaques, que se perde na tradução, e a paródia à “coisa” anglo-saxónica, a mostrar que a rivalidade perdura desde a Guerra dos Cem Anos.

Um filme agradável que, apesar de algumas gargalhadas, não surpreende. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

Le Spectacle du Monde (Déc. 2011)


Mais um número da revista "Le Spectacle du Monde", desta vez com um excelente dossier sobre a História de França, que inclui artigos de artigos Alain de Benoist, Jean-Marie Le Pen, Jacques Heers, Dominique Venner, entre outros. A não perder.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Um pequeno grande livro

Na altura em que se assinalam os 150 anos da morte de D. Pedro V, a Texto Editores decidiu publicar o clássico de Ruben Andresen Leitão sobre este monarca que teve um reinado curto mas marcante. Um excelente retrato do nosso Rei Esperançoso.



Ruben Andresen Leitão é mais conhecido como romancista e pelo pseudónimo literário Ruben A., mas este autor fascinante foi também dramaturgo e historiador. Entre 1947 e 1974 dedicou a D. Pedro V, que considerava “o primeiro homem moderno do nosso país”, dezasseis obras. “D. Pedro V – Um Homem e um Rei” (capa dura, 128 páginas, 15,90 euros), escrito em 1947, tem um duplo objectivo segundo o autor – “servir de introdução às Obras Completas de D. Pedro V” e “perpetuar a memória dos verdadeiros homens da Casa de Bragança”. A sua admiração por este Rei em nada prejudica a obra, apenas lhe faz justiça. Para Ruben Andresen Leitão, “a História não pode idealizar figuras quando elas têm valor para transcender o ambiente literário – perde-se a lenda e fica o homem na mais pura concepção da actuação vivida”. No entanto, o escritor, em toda a sua qualidade, está aqui presente, oferecendo-nos uma belíssima prosa e uma leitura deliciosa, com um extraordinário poder de síntese.

O primeiro capítulo, intitulado acertada e singelamente “O Ambiente”, é uma reflexão sobre o conturbado período que antecedeu o reinado de D. Pedro V, fi lho primogénito de D. Maria II e de D. Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, com o qual pode fazer um impressionante paralelo com os dias de hoje. Inspiradoras e reveladoras da sua mente superior, bem como da sua profunda observação do País e do seu povo, são as citações do próprio Rei que encabeçam cada um dos capítulos. Como escreveu o jornalista e historiador Roberto de Moraes na revista “Futuro Presente”, aquando dos 150 anos da aclamação de D. Pedro V, este era “da estirpe de um D. João II a que se juntava algo da inteligência percutante e sombria de um D. Duarte” e “aliava as qualidades do homem de reflexão às do homem de acção, pois se era um realista que não podia ignorar o estado desgraçado em que se encontrava o Reino (muitos anos de guerra civil endémica, sucessão ininterrupta de Governos, humilhações face ao estrangeiro com a convenção de Gramido, revoltas como a da Maria da Fonte e a subsequente Patuleia, etc.), realista dobrado de pessimista, que não ocultava o idealista que também, lá bem no fundo, não deixava de ser”. Um Homem cuja morte precoce foi uma perda para Portugal, mais um daqueles azares históricos que parecem ser recorrentes na nossa História.

Até nas edições há curiosidades que saltam à vista dos mais atentos. Algo que Ruben Andresen Leitão considerava inacreditável era o facto de a data da morte de D. Pedro V estar incorrecta. Como ele escreve, “mataram o soberano em 1859, dois anos antes do seu desaparecimento!” Pois bem, na pequena nota biográfica do autor publicada, também este “morre” um ano antes... Apesar desta gralha, a editora está de parabéns. Tanto pelo sentido de ocasião, como pela edição cuidada, que felizmente não cedeu ao famigerado Acordo Ortográfico. E porque o livro enquanto objecto também é importante, há a destacar a bela e sóbria capa gravada que se esconde debaixo da esplêndida imagem impressa na sobrecapa.

Este é um livro pequeno em tamanho, mas grande em qualidade – tal como o reinado de D. Pedro V. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Dos jornais

Ninguém conhece o significado de seja que coisa for publicada em qualquer jornal se não souber quais são os interesses que controlam o jornal.
Ezra Pound

Por ocasião do seu 147.º aniversário, o “Diário de Notícias” publicou uma edição comemorativa em formato ‘berliner’, muito maior do que hoje estamos habituados, para relembrar outros tempos. Os jornais, hoje em dia, bem precisam de lembrar-se como eram os tempos de glória da imprensa escrita, porque esse período já passou, definitivamente.

Dois dados curiosos. Nesse mesmo dia foram reveladas as tiragens dos jornais em Portugal e, sem espanto, confirmou-se o que se sabia. As vendas continuam a baixar e no caso do “DN”, outrora uma referência da informação diária, a chegar a números ridículos. Ao mesmo tempo, a dificuldade na leitura, hoje, que um tamanho maior traz, lembra a dificuldade que os jornais têm em lidar com o novo mundo dos ‘media’.

A televisão e depois a ‘internet’ tiraram a novidade aos jornais impressos e, consequentemente, o hábito da sua leitura foi desaparecendo. Mas estes subsistem, na sua maioria sustentados por grupos económicos. Apesar de uma postura oficial de objectividade, sabemos como o “controlo da informação” é uma arma preciosa e tentadora.

Poucos desobedecem à voz do dono e o público sente-o. O futuro dos jornais passa, inevitavelmente, pela independência e pelo assumir de posições, quando for caso disso. Tal é a honestidade devida aos leitores. Orgulho-me de estar num jornal que depende apenas dos seus colaboradores e dos seus leitores. A nossa promessa, enquanto jornal independente, para este ano em que entrámos, é a continuação da nossa habitual irreverência face aos instalados, da nossa seriedade enquanto profissionais e da nossa liberdade incondicional em relação às matérias tratadas.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».