quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O poder do humor

É certo e sabido que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Se a esta juntarmos o humor vale ainda mais. Um ‘cartoon’ é um meio de comunicação excelente, em especial para retratar a situação política ou fazer crítica social. Vem isto a propósito da homenagem que prestamos nesta edição a Augusto Cid, que na semana passada se despediu da colaboração de mais de 40 anos com a Imprensa portuguesa.

Cid e “O Diabo” são indissociáveis. Os seus ‘cartoons’ eram tantas vezes capa, quando não a capa. Na primeira fase do jornal havia uma identificação natural entre o artista e a publicação. Depois, passou por vários outros órgãos da Imprensa, nunca deixando de impressionar.

No meu primeiro editorial como director de “O Diabo”, revelei que este foi um jornal com o qual, literalmente, cresci e que, desde criança, que me recordo de ver este semanário em casa dos meus avós e não resistir ao seu logótipo, o que me fazia amiúde recortar os vários desenhos que ilustravam as secções. Ainda sem saber ler, fazia colagens em folhas de papel em branco com esses recortes. Eram os meus jornais. Quem diria que o destino me iria pregar tamanha partida?

Os desenhos eram de Augusto Cid, autor cuja obra sempre me atraiu desde tenra idade. Recordo-me perfeitamente de um livro que me marcou, que adorava folhear e que me fazia imaginar histórias. Refiro-me a “O Último Tarzan”, essa paródia política genialmente mordaz, publicada em 1980. Acontece que nessa altura estava eu na escola primária e, apesar de já saber ler, obviamente não o compreendia. A única coisa que me lembro de realmente perceber era a brincadeira com a estranha forma de falar de Eanes.

Mas o enorme talento de Augusto Cid não se resume aos ‘cartoons’ e chega também à escultura. Até aí me cruzo com a sua obra quase diariamente no meu bairro, o de Alvalade, em Lisboa, concretamente com a homenagem às vítimas do ataque de 11 de Setembro de 2001, que está na Avenida dos Estados Unidos da América.

Este é o meu singelo contributo para homenagear a carreira de um homem que nunca perdeu a boa disposição e nunca deixou de usar a sátira para denunciar o que ia mal no nosso país. Um verdadeiro português que ainda tem muito para dar, felizmente.

A este propósito, recordo-me sempre de uma importante constatação de um amigo meu sobre um dos nossos adversários políticos. Dizia que este nunca sorria, que se levava demasiado a sério. É um sítio onde nunca devemos querer estar. Que nunca nos falte o humor!

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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