quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O ouro é quem mais ordena

Já em 1927, no seu livro “Durante a Fogueira”, o mestre integralista António Sardinha escrevia: “Apregoa-se, vai em século e meio, a soberania do povo e só descobrimos, ocupando-lhe o lugar, o capitalismo mais desaforado e mais omnipotente. É o ouro quem manda desbragadamente. Manda a agiotagem, como nunca. Reina a bancocracia...” Palavras que reflectem o estado de coisas hoje em dia, que piorou substancialmente com a chamada globalização.

É pois curioso assistir à estéril discussão entre o posicionamento de esquerdas e direitas, conceitos que cada vez mais perdem o sentido. De um modo geral, a esquerda, não se hesita em atacar as “políticas de direita”, normalmente identificadas com o liberalismo económico, à direita insiste-se na inevitabilidade de uma submissão ao economicismo. Seja pela defesa do progresso ou do desenvolvimento, ambos os lados tornaram-se cada vez mais iguais, numa atitude passiva de aceitação.

Vemos hoje que os grandes interesses económicos, o que se convencionou chamar “o grande capital”, administram crises e controlam países na prossecução do seu objectivo de transformar o mundo num mercado globalizado e os homens em meros consumidores.

Dizia o banqueiro anarquista a Fernando Pessoa que “a tirania é das ficções sociais e não dos homens que as encarnam”. E exemplificou: “Destrua V. todos os capitalistas do mundo, mas sem destruir o capital... No dia seguinte o capital, já nas mãos de outros, continuará, por meio desses, a sua tirania. Destrua, não os capitalistas, mas o capital; quantos capitalistas ficam?...” O nosso poeta deu-lhe razão...

A resposta tem obrigatoriamente que passar por uma defesa de valores permanentes, pela afirmação da primazia do político – no sentido schimttiano do termo – e pelo reconhecimento da importância da Nação.

A actual crise económico-financeira pode conduzir – assim o esperamos – a um esgotamento do sistema. Aí haverá a oportunidade de sair de um modelo que tem conduzido à destruição das pátrias. Talvez então, para além de esquerdas e direitas, levantemos de novo o esplendor de Portugal.


Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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