sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Hobsbawm

A propósito da recente morte de Eric Hobsbawm, um amigo meu disse que este era “o historiador marxista que a Direita lia”. Sinceramente, perante a habitual onda de elogios quando morre alguém, normalmente um mero exercício de reprodução de loas sem qualquer análise séria, nem me apeteceu referir-me a este autor.

No entanto, Vasco Pulido Valente, no seu característico estilo implacável, conclui hoje a sua coluna no “Público” com uma frase que resume muito bem este caso: “A "respeitabilidade" de Hobsbawm é um mistério”.

E porquê? O historiador português diz que leu a obra de Hobsbawm toda e que agora releu “A Era dos Extremos” para se lembrar de quem era o seu autor. Recorda que era “membro do Partido Comunista Britânico, de que nunca saiu” e que “não protestou, nem se "desiludiu" perante os crimes (para não voltar aos fracassos) da URSS. Desde o princípio um militante fiel, onde estava, ficou”.

Afirma Pulido Valente que “não deixa de arrepiar que no "Age of Extremes" continue a tratar Lenine como um génio e um benemérito e a sustentar”, ou que Marx continue “a ser o único teórico apreciável e recomendável”. “Nem as vítimas de Estaline, objecto de um único parágrafo, em que se discute se excederam em pouco ou em muito os 10 milhões, o levam a uma condenação radical do regime.”

São alguns dos vários exemplos que menciona, dizendo que para Hobsbawm “as falsificações são um socorro permanente”. E dispara: “Como, sem elas, escrever um livro sobre o comunismo?”

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