quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A força do PC

A presente situação de crise e insatisfação generalizada proporciona o terreno fértil para os protestos de rua e para os movimentos populares.

Acontece que, ao contrário do que muitos garantem, há forças políticas que não dormem. Pelo contrário, estão bem despertas e a actuar em prol dos seus interesses.

Quem acha que o comunismo caiu com o Muro de Berlim, no século passado, desengane-se. No nosso país, o Partido Comunista Português (PCP) continuou a ter uma importância e uma influência relevantes.

Agora, tal como outras esquerdas, igualmente extremas, vai fazendo uma colagem, um aproveitamento, de todas as manifestações ditas apartidárias. Paralelamente, vai continuando a afirmar publicamente o seu poder, nomeadamente através de um dos seus braços mais importantes, a CGTP. Note-se como esta organização sindical encheu a Praça do Comércio para ensaiar uma greve geral e comunicar o seu extremar de posições.
Num momento de vazio de poder, não são os que confiam cegamente na eternidade do sistema que melhor resistem e se afirmam. São os que estão preparados e atentos às rápidas mudanças que têm melhores condições para vingar.

Devemos recordar que, depois do 25 de Abril, no período caótico que se seguiu, o PCP demonstrou ser o único partido político que organizado e preparado para alturas como aquela. A grande força dos comunistas é a sua disciplina e capacidade de mobilização, mesmo nas piores alturas.

Quem pensa que o PCP não passa de um partido residual, ou que é apenas um como qualquer outro, deve abrir os olhos para melhor defender Portugal.

O PREC é uma página negra da nossa História, à qual não podemos voltar, seja sob que nova forma for. Estejamos atentos e, em especial, preparados nestes tempos conturbados e de incógnita.

Como escreveu na semana passada Pacheco Pereira, “o PCP, por cultura política, despreza a violência folclórica dos esquerdistas actuais, mas é tudo menos um touro manso”.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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