sábado, 29 de setembro de 2012

Recordar Nimier


Jaime Nogueira Pinto recordou ontem o escritor hussard Roger Nimier (31/10/1925 - 28/9/1962), no semanário "Sol", aqui fica um excerto:

«Nimier morreu precisamente há cinquenta anos, na noite de 28 para 29 de Setembro, ao volante de um Aston-Martin, ao lado de uma mulher bonita. Não se suicidou como Drieu, nem acabou de velho como o seu amigo Paul Morand. Morreu na estrada, como Camus dois anos antes, ou James Dean em 1955. Seis dias antes já morrera assim outro dos nossos inspiradores – Jean René Huguenin, o autor de um romance único, La Côte Sauvage.
Nimier nascera em 1925, em Paris. Boa burguesia, pai normando, mãe da Piccardie. Não tinha idade para ter tomado posições na guerra e na ocupação, mas alistou-se no Deuxième Hussard, a seguir à Libertação e entrou em combate. Licenciou-se em Filosofia, começou a escrever, passou por editoras e revistas. E começou uma carreira relâmpago de romancista e guionista e enfant terrible. Li entre os quinze e os vinte anos os seus romances – Les Épées, Les Enfants Tristes, L’Hussard Bleu, Histoire d’un Amour.
Na altura, estava a sair de uma adolescência tímida de grandes leituras e paixões silenciosas para uma adolescência activista – onde continuaram as leituras e as paixões, mas já não a timidez. Os heróis de Nimier eram insolentes, apaixonados, secretos e ajudaram-me, por sugestão e imitação, a desenhar um imaginário que foi servindo, também, para modelar a realidade. Era uma direita literária e política não conformista, insolente, que quebrava os tabus da cultura instalada na Rive Gauche, entre o papado de Sartre e os dogmas da superioridade ética e estética das esquerdas.
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