quinta-feira, 13 de setembro de 2012

“Fascistas”

A propósito da “História de Portugal” coordenada por Rui Ramos, que foi um sucesso de vendas e depois distribuída em fascículos pelo “Expresso”, Manuel Loff fez uso do seu espaço de opinião no “Público” para atacar o co-autor responsável pelo período contemporâneo dizendo que este fazia uma defesa ou um branqueamento do Estado Novo.

Não é difícil perceber qual o posicionamento ideológico de Loff quando dá a entender que alguém que considera incómodo é “fascista”. Acontece que a “História de Portugal” de Rui Ramos foi um êxito comercial apreciado pelo público em geral e este historiador não se submete à ortodoxia das esquerdas que tomaram a Universidade.

A seguir ao 25 de Abril, os guardiões ideológicos da “revolução” sabiam bem que era absolutamente necessário dominar o poder cultural. Na Academia, as áreas de Letras foram naturalmente as mais afectadas. No caso concreto da História era de extrema importância controlar a História Contemporânea, já que ter a chave deste passado imediato lhes conferia uma superioridade moral. Já dizia Orwell, no seu distópico “1984”: “Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado”.

Mais, a amplitude da estúpida e errada definição de “fascismo” utilizada tem um único propósito – permitir que seja aplicada quando e a quem se quiser. É o gasto argumento falacioso da ‘reductio ad Hitlerum’, segundo lhe chamou Leo Strauss. Como escreveu Pedro Lomba a respeito deste caso, no “Público”, o alvo era Rui Ramos, “mas qualquer outro, de ideias muito diferentes, podia estar no seu lugar”.

Não se pense que Loff é um caso isolado. Há muitos como ele que, ainda hoje, na sombra, se regozijam pelos ataques que desferiu. Ainda existem por aí muitos ditos historiadores que se orgulham de “fazer História para combater o fascismo”. É a perspectiva dos olham para o passado interpretando-o em função de quem consideram os “bons” e os “maus”.

Num debate sério não há lugar para os que se julgam donos da verdade.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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