quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Às três tabelas

Gostamos sempre de imaginar que os grande líderes de outro tempo tinham como jogo predilecto o xadrez. Pode até não passar de uma ideia romântica, mas seja como for estes tinham em mente o grande tabuleiro da política e guiavam-se por uma estratégia de longa duração.

Nos dias que correm, a política moderna está seccionada pela duração dos mandatos e, apesar de continuarmos a ter discursos que salientam “o interesse nacional” ou o “patriotismo”, cada vez mais vemos que os negócios comandam uma actividade que devia exclusivamente servir o País.

Se é verdade que não existe um “tempo dourado” e impoluto, nem a ele podemos regressar, não deixa de ser evidente que a situação tem piorado gradualmente.

É por isso que os governantes de agora mais parecem jogadores de bilhar, numa cave de uma taberna menos recomendável. Para atingirem o seu objectivo jogam às três tabelas.
O primeiro é, obviamente, conseguirem a respectiva eleição e chegar ao cargo pretendido, com poder decisório. Uma vez lançados por esta primeira “tabela”, passam à fase seguinte, na qual vão aproveitar para fazer os negócios que conseguirem. Veja-se como exemplo as privatizações, que são verdadeiras vendas a grandes grupos económicos, normalmente de capital estrangeiro. Por fim, a terceira “tabela”, na qual se garante um lugar de luxo numa das empresas beneficiadas, um autêntico salário futuro por serviços prestados. O objectivo é assim atingido. Depois destes três movimentos, aí vão eles para outro país, matando as saudades com ordenados milionários. Estes sim são “cidadãos do mundo” – globalizado, entenda-se – já que a sua pátria, à qual pouco ou nada os prende, funciona como um degrau numa ascensão que tantas vezes é meteórica.

Este “bilhar” político não é exclusivo deste ou anteriores governos. Começa a ser uma ‘praxis’ comum a quem atinge o poleiro, mesmo que por pouco tempo. O exemplo, agora, não vem mesmo de cima...

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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