quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Estio

A entrar no mês de Augusto, adivinhamos sem esforço o que se passará no País durante um mês. Portugal abranda o ritmo, quando não pára por completo. Que ignorância – para não dizer desrespeito – da inspectiva ‘troika’ em vir cá nesta altura para mais uma vistoria rotineira!

O assunto mais importante será o dos incêndios que, por certo, continuarão a devorar o nosso verde. Mas, até aqui, pese embora grandes responsabilidades humanas, o fogo mostra-nos, enquanto elemento de uma catástrofe natural, que nem na sociedade pós-industrial o Homem consegue dominar a Natureza. Uma implacável chamada à realidade, à terra, para mostrar que nessa luta eterna devemos recordar-nos do nosso lugar, para assim atingirmos um equilíbrio fundamental.

Para além disso, a inevitável praia… O País vai a banhos, deslocando-se e aglomerando-se nas zonas costeiras, cumprindo um costume historicamente recente. Transforma a paisagem humana de certas paragens, reproduzindo comportamentos e hierarquias, mas em trajes menores. É o “merecido descanso”, como se não houvesse outro.

Filho da capital, sempre gostei desta altura em que é possível apreciar a cidade de outra maneira, em que parece termos parte dela só para nós. Lisboa fica mais agradável – habitável – e podemos apreciar de outra forma os pequenos prazeres, os verdadeiros luxos da vida. É quando me sabem melhor coisas tão singelas como ler uns capítulos de um livro, a seguir ao almoço, num banco de jardim, resguardado à sombra de um plátano frondoso, numa das avenidas nobres de um bairro que é um dos nossos expoentes urbanísticos, onde outrora se projectou uma Nova Lisboa.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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