quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A princesa-rapaz

Este é o primeiro filme de animação da Pixar com uma heroína como protagonista. Passado numa Escócia de outros tempos, onde os clãs são fiéis às suas tradições, a jovem e ruiva princesa Meridan vai desafiar as regras instituídas. Ela é uma verdadeira maria-rapaz, gosta de montar a cavalo pela floresta, disparar flechas com o seu arco, ou subir penhascos escarpados. Estas atitudes chocam com o que a mãe, a rainha Elinor, lhe ensina para a preparar para ser uma verdadeira princesa.

O rei Fergus, seu pai, que perdeu uma perna numa luta com o terrível urso Mor’du, é condescendente com a filha e atira essas decisões para a mulher. O choque dá-se quando a rainha organiza a vinda dos clãs ao castelo para apresentarem os pretendentes a casar com Merida. A princesa rebelde não quer, sente-se mal com as roupas de gala apertadas e decide quebrar a tradição e causar a ira da sua mãe.

Decidida a conseguir o que quer, Meridan encontra uma bruxa de quem consegue um feitiço para mudar a rainha. Mas o resultado não é o esperado e vai fazê-la reflectir no que fez, no seu egoísmo e provocar uma aproximação entre mãe e filha.

Em termos visuais o filme é excelente, com todos os elementos da cultura popular escocesa, de influência celta, bem como as paisagens maravilhosas das Terras Altas, reproduzidos pormenorizadamente. No entanto, há alguns erros, como o facto de se utilizarem garfos à mesa, algo que só aconteceria muitos séculos depois, ou de se referir os invasores romanos e vikings no mesmo período histórico. Mesmo assim, este é um conto de fadas europeu, onde se exalta a bravura, o amor à terra e à família. Valores eternos que tanto se esquecem hoje.

Num filme que é para ser visto com as crianças é sempre difícil mantê-las até depois dos créditos finais, mas se se quiser ver o filme todo é necessário.

Tal como acontece noutros filmes nascidos nos estúdios Pixar, “Brave” é precedido pela curta-metragem de animação “La Luna”, realizada por Enrico Casarosa. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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