quinta-feira, 5 de julho de 2012

País encerrado

As recentes notícias sobre as intenções governamentais de encerrar vários tribunais pelo País fora, são mais um passo no caminho que Portugal faz, apenas numa direcção, virando costas à sua outra metade.

Há muito que se têm vindo a diminuir substancialmente as infra-estruturas de interesse directo para os cidadãos no chamado Interior. Afectam todas as pessoas e de todas as idades, pois são maternidades, centros de saúde, escolas, entre vários outros serviços públicos.

Claro está que a justificação é a mesma de sempre – “racionalização” para contenção da despesa. Ainda para mais, com a inspectiva ‘troika’ sempre à espreita e os “bons alunos” ansiosos de mostrar que fizeram os trabalhos de casa...

É óbvio que não há soluções perfeitas e que, certamente, há diversos casos merecedores de uma “racionalização”. Acontece que esta não pode ser a dos cortes cegos, baseados em relatórios anónimos, onde as pessoas são números e tudo é tratado da mesma forma, como se todas as situações se equivalessem.

Mais: estas medidas chocam de frente com o objectivo de fixar as populações em todo o território nacional. Algo com o qual teríamos todos a ganhar. O problema é que esses são ganhos a longo prazo e hoje, mercê de calendários eleitorais ou de subjugações externas, tudo se vê a curto prazo.

Em breve, o único grande investimento público de que o Interior beneficiará serão as auto-estradas que nos rasgaram a paisagem, deixando cicatrizes de asfalto. Mas, mesmo essas, servirão apenas como meio de fuga.

A fuga, em primeiro lugar é para o Litoral e para as maiores cidades. E depois? Certamente para outro país, como já acontece em números consideráveis, neste novo fenómeno emigratório a que temos vindo a assistir.

Qualquer dia não será apenas o Interior que estará encerrado, mas todo o País.
O nosso caminho não se faz parado. Parar é morrer. E Portugal não pode parar.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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