quarta-feira, 11 de julho de 2012

No mundo de Bruegel

Pieter Bruegel, “O Velho”, um dos mais extraordinários pintores flamengos, assinou em 1564 uma das suas maiores obras, com 124 x 170 cm, intitulada “Subida ao Calvário”, que hoje se encontra no Kunsthistorisches Museum, em Viena. Em 1996, o crítico e historiador de arte Michael Francis Gibson publicava uma análise detalhada do quadro, cuja tradução em inglês viria a chamar-se “The Mill and the Cross”. No ano passado, o realizador polaco Lech Majewski decidiu passar a obra de Bruegel ao cinema, através do livro de Gibson, com quem co-escreveu o argumento. O resultado foi um filme bastante diferente do que estamos habituados e, por isso, tenha tido uma boa recepção no Festival de Sundance, onde foi a sua estreia.

A ênfase está, como não podia deixar de ser, na imagem. “O Moinho e a Cruz” é um formidável e elaborado espectáculo visual. Consegue fazer-nos entrar não só no trabalho de Brugel, como no mundo que ele presenciou, assim como nas suas intenções simbólicas ao pintá-lo. Os diálogos são raros e o ritmo é lento.

Impressionante é o retrato da Flandres do século XVI, sob domínio de Espanha. Dos afazeres diários domésticos às brincadeiras das crianças, ou dos diversos trabalhos da gente do campo às perseguições implacáveis das milícias espanholas. Este é um mundo violento e cruel, onde a convivência com a morte e a violência é uma constante.

É para este cenário que Bruegel (interpretado por Rutger Hauer) transpõe a história da Paixão de Cristo e explica ao seu patrono e coleccionador de arte Nicholas Jonghelinck (Michael York) o simbolismo da obra que está a pintar.

Aqui, um quadro ganha vida num filme que, apesar de não ser para todos, é bastante interessante. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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