quinta-feira, 26 de julho de 2012

Da divulgação histórica

A morte do carismático Prof. José Hermano Saraiva provocou aquele fenómeno ambivalente que normalmente acontece no nosso país. Quem parte habitualmente torna-se óptimo, ainda que os que o choram lhe desconheçam a obra. Por outro lado, há sempre os que aproveitam esta altura para tecer as maiores criticas, quando não insultos.

Sobre este segundo aspecto, muitos foram aqueles que, prontamente e quase sempre sob o cómodo anonimato da internet, disseram que o Prof. Hermano Saraiva não era um historiador, mas um “contador de histórias” e, se tal não bastasse, que era uma “figura do antigo regime”.

Não me cabe aqui falar da sua obra de investigação e devo dizer apenas que, caso se entenda, esta deve ser criticada academicamente, em local próprio, e nunca em tiradas de café.

Acontece que ele era um comunicador nato como existem poucos. Tal permitiu-lhe chegar a um público extremamente alargado, para inveja dos guardiões da ortodoxia da Academia. É que, ao contrário do que estes querem – mas sabem – é muito mais difícil falar para muitos que para poucos.

A divulgação histórica tem uma importância fundamental na formação de um Povo e no fortalecimento da sua identidade. Por muito que se queira que a História seja uma ciência, ainda que social, não deixa de ser sempre uma interpretação.

Os gregos antigos sabiam-no muito bem. Não era Clio, cujo nome vem de “cantar”, musa da História e da poesia heróica?

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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