quinta-feira, 12 de julho de 2012

Bolonhesa

Parece que em Portugal, recentemente, quando se quer levantar um escândalo com um ministro basta averiguar o seu percurso académico. O último visado, como é sabido, foi o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. Em causa está o facto de ter concluído em apenas um ano a licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa, por ter obtido 32 equivalências e tendo apenas de fazer exames a quatro disciplinas. A Universidade esclareceu prontamente que tal creditação é totalmente legal e que já houve 89 casos como este numa década.

Claro que quem estudou vários anos, fazendo todos os exames necessários, se revolta perante este aparente facilitismo.

Mas sejamos honestos. Se a lei o permite, a culpa é de algum deles? Se andarmos a 120 km/h numa auto-estrada a culpa é nossa ou do Código da Estrada? Relvas e os outros puderam acelerar o curso e fizeram-no.

O importante neste caso é perceber por que o puderam fazer. Nada como uma polémica mediatizada para que os portugueses vejam como o chamado processo de Bolonha está a descredibilizar o ensino superior no nosso país.

As licenciaturas foram reduzidas para três anos, com a desvalorização natural que tal significa. Generalizaram-se os mestrados, para que os estabelecimentos de ensino superior possam lucrar, que na maior parte das vezes são uma mera continuação dos cursos. Em certas áreas, preocupadas com a qualidade da formação, começou a exigir-se o chamado curso integrado, como Arquitectura, Engenharia, Medicina ou Direito. Mas o mal está feito. É óbvio que é melhor haver mais portugueses com formação superior, mas tal não pode ser à custa de um nivelamento por baixo.

Esta é mais uma área fulcral em que pomos em causa o futuro de Portugal. Os “doutores da mula ruça” não podem passar a ser a norma.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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