quinta-feira, 28 de junho de 2012

Família perfeita

Kate, Steve, Mick, and Jenn Jones formam uma família aparentemente perfeita que se muda para uma zona residencial de luxo, onde vivem os abastados. São uma imagem de sucesso e felicidade que rapidamente impressiona os novos vizinhos. Tudo parece bom demais para ser verdade… E, de facto, não passa de uma enorme e cuidada encenação.

Como explica Kate (Demi Moore), não são uma família, mas uma “unidade”, da qual ela é a chefe. Neste caso são uma equipa de ‘marketing’ que trabalha infiltrada na comunidade. O seu objectivo não é apenas vender produtos, mas impor um estilo de vida e criar modas. Vender o “sonho americano”, que se concretiza através da posse de bens de topo. Todos os membros da “unidade” têm objectivos a atingir e os seus resultados são medidos periodicamente.

Apesar de nos EUA a febre do consumo ser naturalmente elevada, por cá também conseguimos perceber muito bem esta tendência. Cada vez mais há a ideia errada de que somos aquilo que temos e que, por isso, devemos ter.

Há um pormenor interessante, que passará ao lado de muitos. O título original do filme é o nome da família, mas faz referência à expressão idiomática anglo-saxónica “keeping up with the Joneses”, que significa manter o ‘status’ social através dos bens materiais.

É claro que nem tudo vai correr bem e neste mundo falso há lugar para o amor e as relações reais. Será que é possível conciliar os dois mundos? Será que é possível separá-los totalmente?

A questões que podiam ser aprofundadas, este filme responde com o expectável. A ideia não deixa de ser interessante, já que na guerra pelo consumo também deve haver lugar para unidades especiais, que trabalham atrás das linhas. Mas o resultado não impressiona. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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