sexta-feira, 22 de junho de 2012

Fim de um mundo

Esta é a segunda longa-metragem realizada por Oren Moverman, depois de “O Mensageiro” (2009), que desta vez contou com a ajuda de James Ellroy como co-argumentista. A história baseia-se no chamado “escândalo de Rampart”, que aconteceu no final da década de 1990 e revelou uma série de ilegalidades praticadas nessa divisão da Polícia de Los Angeles.

O filme centra-se em Dave Brown (Woody Harrelson), um agente que personifica todos os defeitos que imaginamos em alguém envolvido na corrupção policial. Acha-se no cumprimento do seu dever e que os fins – mesmo que sejam para proveito próprio – justificam os meios. Argumenta sempre numa perspectiva de superioridade, recordando o seu passado, seja como veterano da Guerra do Vietname, seja pelo longo tempo de serviço. Confia nos seus conhecimentos dentro da estrutura para o safar dos abusos e acha que as coisas vão continuar como sempre foram.

Um dia, enquanto em patrulha, um carro choca contra o seu. Dave persegue o condutor do outro veículo e espanca-o brutalmente. A situação é filmada, passa para as televisões, Dave torna-se o símbolo do abuso policial e ninguém parece disposto a ajudá-lo. Ao mesmo tempo, enfrenta problemas familiares. Tem duas ex-mulheres, que são irmãs, e duas filhas, uma de cada casamento. Ele tenta “manter a família junta”, mas continua a ser mulherengo, promíscuo e a abusar da bebida.

O ponto mais alto aqui é sem dúvida a excelente representação de Woody Harrelson, num papel que parece feito à sua medida. Nota negativa para a tradução portuguesa do título. Para além de optar pela reprodução do original, algo bastante em voga mesmo quando não se justifica, gera confusão imediata pela sugestão de que Rampart se trata do “renegado”. Há casos, como este, em que mais vale deixar-se como veio.

Mais que um filme sobre o abuso e a corrupção policial ou os dramas pessoais de um agente da autoridade, esta é a imagem do fim de um mundo. Do fim do domínio de um tipo de homens. Como diz a filha mais velha de Dave, antes de apontar todos os defeitos que vê no pai: “és um dinossauro”…

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