quinta-feira, 14 de junho de 2012

Do futebol

É inegável a influência do futebol na nossa sociedade. Reflexo directo é a sua omnipresença nos meios de comunicação social. Agora, com o campeonato europeu de futebol, esta nota-se muito mais. Ainda assim, este ano há uma diferença substancial para o Euro 2004.

Nessa altura viveu-se uma verdadeira embriaguez colectiva. É claro que foi uma demonstração de que conseguíamos realizar um grande evento desportivo internacional no nosso país. Respondendo ao apelo de um seleccionador estrangeiro, Portugal foi decorado com bandeiras nacionais. Foi quase uma euforia ingénua de quem sentia que a partir desta festa tudo iria correr bem. Aconteceu o contrário. Hoje, essas manifestações pouco se notam e os portugueses, na sua maioria, percebem que nem Portugal não se resume ao futebol, nem o futebol resolve os problemas do País.

Muitos consideram o futebol como um escape. Mas não o devemos entender como uma mera fuga às preocupações do dia-a-dia ou uma forma divertida de esquecer a crise.
O chamado desporto-rei é uma projecção moderna das batalhas, talvez por isso os ânimos se exaltem tanto nesta competição e assistamos amiúde a uma violência que, à primeira vista, parece inexplicável. Como num antigo torneio, onde representantes de cada uma das partes vão lutar por um conjunto. Quando se trata de desafios entre selecções nacionais, esse simbolismo é evidente.

Quem vê aqui um perigo, garante-nos que o futebol se deve caracterizar pelo ‘fair-play’ e que serve para combater o racismo e a xenofobia. Mas estas aparentes boas intenções chocam com as declarações de altas figuras da sociedade e com a postura de muita imprensa.

A propósito do jogo contra a selecção alemã, muitos foram os que por cá quiseram, desta forma, atingir Angela Merkel ou “expulsar a Alemanha do Euro”, entre outros “mimos”. E este é só um exemplo, já que há casos semelhantes relativamente a todos os países.
Apesar do seu peso, tantas vezes exagerado, o futebol não pode ser um desígnio nacional. Que a crise e as presentes dificuldades nos recordem que os países são muito mais que equipas de futebol milionárias.

A defesa da pátria não é um espectáculo desportivo.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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