quarta-feira, 16 de maio de 2012

Super-mulher


Como se faz um ‘blockbuster’ de acção? Com uma trama simples, de preferência já comprovada, passada em várias partes do globo, dá-se uma dose exagerada de tiroteios com armas variadas, bastantes perseguições alucinantes e correrias desmesuradas e, claro está, cenas de pancadaria especializada, porque os entusiastas das artes marciais já não se contentam com qualquer coisa. Nem é preciso cenas de amor… Bom, talvez uma pitadazinha. Juntam-se umas caras conhecidas para dar credibilidade e filma-se tudo “prego a fundo”.

Soderbergh sabe a receita, aplicou-a e, desta vez, tem como protagonista uma verdadeira “super-mulher”. Mallory Kane (Gina Carano) é uma operacional de topo de uma empresa de ‘civil contractors’ – nome a que nos habituamos nos recentes conflitos do Iraque e do Afeganistão, por exemplo – que é escolhida para uma difícil missão de recuperação de um refém. Claro está que nestas áreas nada é o que parece e Mallory vê-se ludibriada e perseguida. Torna-se uma ‘rogue agent’ – a história clássica deste tipo de filmes – e ninguém a consegue parar. Aceleradamente, vai fugindo, espancado, disparando e perseguindo, com extraordinária eficácia, de Barcelona a Dublin, passando pelo Novo México, entre outras paragens.

A história, que é de nível baixo na escala da conspiração, sabemo-la através do relato que ela faz a um jovem no carro de quem foge. É um piscar de olhos ao público adolescente, colocando-o no filme.

No que respeita à actuação, os grandes nomes só aqui estão para dar a cara e pouco esforço. Gina Carano, lutadora profissional de artes marciais mistas e que está longe ser uma grande actriz, enquadra-se perfeitamente no género. É, seguramente, um nome que voltaremos a ver nestes ambientes.

Se gostar da acção pela acção, este é um filme a não perder. Se procura algo mais, quando acabar de o ver com certeza repetirá a última linha de diálogo. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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