quinta-feira, 24 de maio de 2012

Minoria

Muito se fala de “minorias”, na sua necessidade e, principalmente, na sua “defesa”. Na maior parte dos casos, estas não passam de minorias instrumentalizadas – quando não criadas – por movimentos ou partidos, quase sempre das esquerdas, para atingir objectivos políticos.

Mas há minorias fundamentais e, de facto, a considerar. As que lêem, reflectem e agem, por exemplo. Veja-se uma estatística de leitores de jornais relativamente à população nacional e percebe-se automaticamente que quem lê estas linhas pertence a uma minoria. Será que o seu reduzido número lhe retira importância?
Muito pelo contrário. São essas minorias que alteram o curso a História, que são a ignição das revoluções e as provocadoras da mudança.

Claro que nem sempre – é melhor dizer raramente, para não dizer nunca – conseguem obter os resultados exactos que pretendiam. O que não é de estranhar, já que o futuro é naturalmente desconhecido e inesperado. Mas o sonho deve estar sempre presente, tal como a vontade de actuar, de não se acarneirar e de recusar sempre um conformismo imobilista e imobilizador.

A democracia moderna encerra em si própria, entre outros, o perigo da “tirania da maioria”, para o qual alertaram vários autores, nomeadamente Alexis de Tocqueville, na sua obra incontornável “Da Democracia na América”. São por isso necessárias minorias que se arrisquem ao mais perigoso exercício de todos – pensar.

Não podemos nunca vergar-nos à lógica redutora do número. O número não é sinónimo de razão ou de vitória. Há factores incalculáveis que influenciam, quando não definem, o destino dos povos.

O nosso exemplo, ancorado na preciosa herança da nossa História europeia, não é o dos milhares de persas, mas dos 300 de Esparta.

Podemos ser uma minoria, mas somos maiores.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

1 comentário:

  1. São poucos os que lêem, mas são muito menos os que lêem e reflectem, os que lêem, reflectem e agem: são uma minoria minúscula e residual, isto dentro da minoria dos que lêem e reflectem. Como se não bastasse, os indivíduos que constituem esta minoria minúscula são tipicamente obstinados e quase sempre acompanhados de fortes temperamentos e convicções. A agregação de indivíduos destes é muitas vezes impossível, contudo, repetidamente tentada.

    Portanto quero deixar uma especial saudação a uma minoria dentro da minoria minúscula, os que lêem, reflectem, agem e também têm espírito constritivo, que sabem estar e trabalhar em grupo, que conseguem liderar mas também ser liderados, que arranjam soluções em vez de procurar problemas.

    Viva o bom combate!

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