quarta-feira, 9 de maio de 2012

A mãe do assassino

As notícias de horríveis massacres em escolas já não são novidade, apesar de bastante perturbantes, dada a sua frequência. Também já não se restringem aos Estados Unidos da América, tendo ocorrido em países europeus. Um fenómeno que é aparentemente do mundo ocidental e que tem merecido as mais diversas análises. O primeiro ângulo pelo qual se observam estes acontecimentos trágicos é o dos perpetradores, para tentar perceber o caminho que os levou até à sua decisão assassina e os motivos que a consolidaram.

Desta vez, a realizadora britânica Lynne Ramsay optou por nos mostrar como é a vida da mãe de um assassino desses. Tanto as extremas dificuldades que atravessa depois do sucedido, onde é ostracizada pela comunidade, que não resiste à tentação de a culpar também. Como pela conturbada relação que ela teve com o seu filho desde que ele nasceu. Uma criança estranha que, desde muito nova, revela traços de sadismo ou mesmo de uma maldade intrínseca, que consegue monopolizar a família e aterrorizar a sua progenitora.

Um dado muito curioso neste filme e que talvez passe ao lado dos menos atentos é a arma utilizada por Kevin para levar a cabo o seu massacre escolar. Como sabemos, este tipo de crimes tem sido bastante utilizado para as campanhas contra as armas de fogo, nomeadamente nos Estados Unidos da América. Acontece que aqui o instrumento de morte é um arco através do qual são disparadas certeiras setas. Algo que, para além de impressionar, mostra que independentemente da arma é o massacre e o seu autor que devem ser condenados.

Um filme intenso, bem realizado e ritmado, com planos muito bem conseguidos, que nos traz uma abordagem nova e diferente. Destaque para as boas actuações de Tilda Swinton, no papel da mãe, e de Ezra Miller, no papel de Kevin quando é adolescente.

Uma reflexão não só sobre o homicídio juvenil, mas principalmente sobre a relação entre mãe e filho, que por vezes pode ser tão difícil e até obscura. Será que, como diz o ditado, “quem sai aos seus não degenera”? Será que não há nada como o amor de mãe? [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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