terça-feira, 1 de maio de 2012

Idade da Pedra

Datas como o 25 de Abril ou o 1.º de Maio trazem sempre à discussão a questão dos chamados “direitos dos trabalhadores”. Normalmente apresentados, abusivamente, como uma “conquista da esquerda”. Pouco importa que hoje muitos desses senhores das esquerdas, outrora defensores da melhoria da dita classe trabalhadora, estejam muito bem acomodados à frente de grandes empresas e desfrutando dos privilégios inerentes.

Com um discurso estafado, insiste-se na defesa dos “direitos adquiridos” – como se se acreditasse na imutabilidade da sociedade e do mundo – normalmente fazendo verdadeiras marchas jurássicas, que mais lembram dinossauros em fuga após a chuva de meteoritos.

Acontece que o cenário mudou completamente. Mesmo com a partida de tantos portugueses, os que cá ficam já se aperceberam que nada está garantido. Esta afirmação não é teórica, baseia-se na minha observação prática e directa, bem como nos inúmeros testemunhos que me vão chegando de pessoas que trabalham nas mais diversas áreas.

Chegámos a um ponto em que, como diz o povo, “são sete cães a um osso”. E não me refiro a uma competição salutar, onde quem sobressai é o que tem mais competências. Também já não se trata da mera sobrevivência do mais forte. Pelo contrário, é a via daquele que tem menos escrúpulos – do que está disposto a tudo.

Esta constatação pode ser entendida como um alarmismo catastrofista, em especial pelos optimistas de serviço, mas os sinais estão todos lá. Basta querer vê-los e saber lê-los, porque já os sentimos há bastante tempo.

Numa era de inversão de valores, honra, respeito, verdade, solidariedade, entre outros, rareiam. É o anúncio claro de um fim de ciclo, com tudo o que isso acarreta. Claro que outro se seguirá, mas por agora há que estar atento e prevenido.
Voltámos à Idade da Pedra e quem sobrevive é quem lasca melhor a sua faca de sílex…

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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