quinta-feira, 31 de maio de 2012

Grandes e pequenos

Nos últimos tempos, como consequência directa da crise, temos vindo a assistir a um aumento exponencial de todo o tipo de controlos. Seja pelas Finanças, relativamente aos impostos, seja pela ASAE relativamente ao comércio, seja pela Polícia, relativamente ao trânsito automóvel, entre tantos outros. Os casos são inumeráveis, mas são um sinal de um “apertar” que sentimos diariamente.

Obviamente, não se pode fazer – nem se fará – aqui a defesa do incumprimento. É claro que a fiscalização tem que existir e desempenhar o seu papel. Os prevaricadores não podem ser considerados como exemplo, muito menos numa altura de crescentes sacrifícios, como esta em que vivemos.

A questão fundamental está nos alvos de todo este controlo. Mais uma vez – convém também acrescentar que cada vez mais –, os principais visados são os “pequenos”. São os cidadãos, as famílias, o pequeno comércio e as pequenas empresas.
Por outro lado, os “grandes”, as empresas multinacionais e os grandes grupos económicos, parecem não só escapar, como reforçar o seu poder. É por isso muito difícil falar em verdadeira competitividade e em empreendedorismo, normalmente apontados como solução para a crise económica.

Esta situação não é exclusiva de Portugal, passa-se em todos os países europeus, com diferentes intensidades. Será que estamos finalmente a viver o cenário proposto por tantos filmes de ficção científica onde multinacionais gigantescas controlam o mundo através de um sistema securitário? Ainda não, mas esse é um risco crescente. Cabe-nos a nós evitá-lo.
Está longe de ser uma tarefa fácil, mas não seria a primeira vez na História em que os pequenos vencem os grandes.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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