sexta-feira, 18 de maio de 2012

Do património

Na semana passada passou-se mais um caso nosso país relativamente ao património que, infelizmente, está longe de ser o primeiro, nem será certamente o último.

Na aldeia de Chãs, freguesia de Regueira de Pontes, concelho de Leiria, a Capela de Nossa Senhora das Necessidades foi demolida, por não ter sido classificada pela autoridade competente, o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar). Tratava-se de um edifício que remontava pelo menos ao século XVII. Várias vozes críticas se levantaram em defesa da capela, nomeadamente a Ordem dos Arquitectos, bem como outras associações.

O problema é que, tal como noutras situações análogas, a população e os dirigentes locais estavam contra a preservação e ansiosos pela demolição. Desta vez, o presidente da Junta local, Amílcar Gaspar, afirmou mesmo que a igreja se tratava de “um mono e um estorvo”.

Em primeiro lugar, em casos destes, os defensores do património são normalmente externos e impessoais. Por demasiadas vezes tratam os locais como ignorantes que nem precisam de ser ouvidos. Por outro lado, é comum que as populações estejam cegas com a enganadora ideia de progresso. “Se temos um novo, para quê um velho?” Estamos sempre perante o complicado desafio de encontrar um equilíbrio. Não se pode optar por um sistema “de redoma”, que corta o acesso das pessoas ao seu património, nem pela pura destruição de qualquer coisa que soa a ”ultrapassada”.

A atitude perante a conservação do património tem mudado, naturalmente, ao longo dos tempos. Mas é essencial que as pessoas se sintam identificadas com ele enquanto comunidade. Que não o entendam como peças de um museu, mas como elementos presentes que nos ligam ao passado e que deixaremos para o futuro.

O património pertence-nos – é nosso. O que apenas aumenta as nossas responsabilidades enquanto portugueses de o conservar e de o viver.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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