quinta-feira, 12 de abril de 2012

“Ir à terra”

Esta é uma expressão bastante conhecida dos portugueses e foi o que fiz no passado fim-de-semana. No meu caso, fui a Santa Comba Dão, terra dos meus avós paternos e à qual me prendem ligações familiares e afectivas. Cidade do centro do País que esteve recentemente nas bocas do mundo a propósito do seu filho mais famoso, algo que não incomoda minimamente os locais, pelo contrário. A Páscoa é nesta zona a festa por excelência e, tal como era hábito fazer durante tantos anos, regressei nesta altura.

É sempre bom reencontrar amigos e ver como, apesar das várias mudanças e do exagerado crescimento urbano que aconteceram um pouco por todo o País, se mantêm ainda vivas as tradições populares, como a procissão ou a queima do Judas.

São ritos ancestrais, que marcam o fim de um ciclo e o início de um novo. Momentos em que a comunidade se reúne para o assinalar e para se reencontrar. É esse o sentido profundo da festa, que não se resume apenas a mera diversão como muitos pensam hoje.

Em especial nesta altura tão complicada e bastante difícil que atravessamos, enquanto portugueses devemos preservar a nossa ligação à terra, não esquecer as nossas origens e ter sempre presente a ideia de um renascimento.

Nestes tempos conturbados de perigosa indecisão e total ausência de um verdadeiro projecto nacional, recordemos todos a nossa terra – Portugal. É a Pátria, a terra onde estão sepultados os nossos antepassados que nos deve mover.

Só sabendo de onde viemos, saberemos quem somos e, então, podemos e devemos reencontrar-nos enquanto povo e Nação.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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