sábado, 14 de abril de 2012

Inútil e prejudicial

Mais um excelente artigo sobre o famigerado (des)Acordo Ortográfico, publicado no "DN", da autoria de Anselmo Borges. O título diz tudo "O Acordo Ortográfico: inútil e prejudicial", mas aqui fica a esclarecedora conclusão:

"Sem querer pormenorizar (o espectáculo é cada vez mais triste, pois já não tem espectadores, mas "espetadores" e os egípcios são cidadãos do "Egito"; quando um aluno escrever "a recessão do texto", para dizer "a recepção do texto", como explicar-lhe que não é recessão, se é de recessão que constantemente ouve falar?), considero-o isso mesmo: inútil. Que vantagens trouxe? Assim, em tempos de crise, para quê gastar tanto dinheiro na sua implementação? Afinal, quem lucrou, e muito, com ele?
Mas não é só inútil. Veja-se esta antologia de escrita, colhida em trabalhos académicos: "se vi-se-mos", "há-dem ver" (mas isto até ministros dizem), "se nos entretermos", "o homem dasse a conhecer", "deve-se dizer não há violência", "há-ja compreensão", "isso nada tem haver com o real", "à muito que é assim", "tratam-se de questões complexas", "é assim; senão vejamos"; "haviam imensos erros". Se é assim, sem o Acordo, o que vai ser com a confusão em curso do Acordo? Ele não é, portanto, apenas inútil: é prejudicial."

1 comentário:

  1. Infelizmente, o pior cego é aquele que não quer ver. É incrível como algumas pessoas continuam a martelar-nos com esta coisa do (des)acordo ortográfico. Esta tragédia apenas tem sido positiva por uma razão, ou seja, pelo facto de voltar a unir os portugueses em defesa de um bem comum, completamente apartidário. Apenas era importante alguém "de direito" ouvir democraticamente o apelo da esmagadora maioria dos portugueses, pedindo para enterrar-se de uma vez por todas este cancro denominado AO90!

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