sexta-feira, 6 de abril de 2012

Independente

A oposição ao fim do feriado do 1.º de Dezembro continua a alastrar e a movimentar pessoas de diferentes áreas políticas. Felizmente, não se trata aqui de defender mais um dia de “folga”, mas de ir ao essencial – ao significado dessa data. Para um país que vê, de dia para dia, a sua independência a desaparecer, comemorar e assinalar a Restauração é recordar que já houve homens que defenderam Portugal perante todas as adversidades. São exemplos nacionais e, como tal, devem inspirar-nos. Ancorados no passado, devem estar presentes para, depois, poderem projectar-se no futuro.

Na actual era do todo económico e da produtividade a todo o custo, a questão da eliminação de feriados surge, para alguns, como uma medida acertada. Mas será que se deve trocar o dia da Restauração da Independência por um dia de trabalho como os outros? A resposta está longe de ser simples, já que hoje muitos portugueses nem sabem o que se celebra nessa data. Tal não justifica, só por si, a sua eliminação. A polémica em torno desta questão tem pelo menos o mérito de trazer o 1.º de Dezembro à discussão.

Um exemplo de coerência, raro nos tempos que correm, foi dado por Ribeiro e Castro, ao votar na Assembleia da República contra o Código Laboral, exactamente por prever a eliminação deste feriado. O deputado do CDS-PP fê-lo contra a “democrática” disciplina de voto imposta pelo partido e afirmou: “Eu tirei uma consequência política de ter uma discordância fundamental, que viola aliás o mandato pelo qual fui eleito e que viola valores fundamentais a que eu pertenço e o meu partido também.” Uma atitude que é um exemplo e uma postura que é de louvar.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Sem comentários:

Enviar um comentário