sexta-feira, 13 de abril de 2012

Felicidade


“Uma ilha – isto é: a imagem mais perfeita que o homem já pôde formar da sua própria felicidade, porque a felicidade é, antes de tudo o mais, uma rotura, um isolamento de toda a banalidade dos dias, e forma uma espécie de recife um tanto monstruoso mas habitável. A vida do homem a quem o destino tenha permitido várias vezes saborear a felicidade é uma sucessão de ilhas. E de repente, depois de ter nadado muito tempo, ei-lo que aborda uma delas, e nela habita, e nela sorri, e nela come, às vezes por uma hora apenas, às vezes por dez dias. E sabe, enquanto está na ilha, que há-de deixá-la um dia, mas não é próprio da ilha representar um escândalo e qualquer coisa de insólito? Que venha a ilha a seguir, que possa lá chegar-se morto de fadiga, que possa lá adormecer-se. E nem sequer é necessária uma extraordinária conjunção de astros e de circunstâncias para criar a ilha: às vezes ela surge do nada, porque a felicidade não é mais do que uma filha casual da sorte, que importa aceitar sem perguntar de onde vem.”

Robert Brasillach
in “Como o Tempo Passa...”

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