sexta-feira, 20 de abril de 2012

Da felicidade

Na sociedade da abundância em que vivemos, há uma obsessão relativamente à “felicidade”. Vêem-se amiúde manchetes de revistas, normalmente destinadas ao público feminino, que se dirigem imperativamente aos seus leitores dizendo-lhes “Seja feliz!”. Também no campo dos chamados livros de “auto-ajuda”, há inúmeros títulos que explicam “técnicas” ou “passos” para ser “feliz”.

Como se não bastasse, a coisa contaminou a imprensa e as análises dos “especialistas”. Recentemente, alguns jornais nacionais falavam no “índice de felicidade” dos portugueses, comparando-o a outros. Há escalas de felicidade? É possível ser feliz?

Em primeiro lugar, a felicidade não é mensurável, e nem nesta era da técnica, à qual nos submetemos, se descobrirá um aparelho capaz de o fazer. Como tão bem sabiam os nossos antepassados, a felicidade está no “fim do arco-íris”. Ou seja, está numa busca incessante. Tal como a vida. Morrer é a única certeza que temos e tal não nos impede de viver, pelo contrário.

Em segundo lugar, tal não significa viver em constante “depressão”, outro estado em voga, nestes tempos simplistas de classificação binária. Como escreveu Robert Brasillach, no seu maravilhoso “Como o Tempo Passa...”, “a felicidade é, antes de tudo o mais, uma rotura, um isolamento de toda a banalidade dos dias, e forma uma espécie de recife um tanto monstruoso mas habitável”.

Na era da alienação mental e da afirmação pessoal através de bens materiais que é suposto fazerem-nos “felizes”, é necessário regressar às nossas raízes. Urge retomar o espírito trágico do homem europeu. O mesmo que lhe deu a vontade para aqui chegarmos.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

1 comentário:

  1. DISPONIBILIDADE EMOCIONAL

    Não vamos ser uns 'parvinhos-à-Sérvia'.... antes que seja tarde demais, há que mobilizar aquela minoria de europeus que possui disponibilidade emocional para se envolver num projecto de luta pela sobrevivência... e SEPARATISMO!...

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