quinta-feira, 19 de abril de 2012

Aborrecimento juvenil

Depois do sucesso literário de “Os Jogos da Fome”, de Suzanne Collins, era uma questão de tempo até os senhores da indústria cinematográfica tratarem da sua passagem ao grande ecrã, conquistando o público adolescente, em busca de mais um sucesso de bilheteiras.

O problema é que parece que, talvez por segurança ou comodidade, estes êxitos juvenis obedecem quase sempre ao mesmo esquema. Nestes modelos pré-formatados, já de si maus, há duas características que os tornam não só aborrecidos como insuportáveis – o simplismo e a previsibilidade.

Desta vez, somos levados a uma América do Norte pós-apocalíptica, dividida em distritos, onde as diferenças sociais são acentuadíssimas. Anualmente realiza-se um jogo, televisionado à laia de concurso, onde os “tribunos” – jovens representantes sorteados de cada distrito – têm que sobreviver e lutar uns contra os outros até ficar apenas o vencedor.

Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) vai ser a heroína anunciada desta história, não só pela sua coragem como pelo seu amor. Mas o pior é que, apesar de uma rebeldia aparente, nem consegue ser verdadeiramente anti-sistema. O mundo retratado é tão ridículo quanto inverosímil. Um autoritarismo apalhaçado, nos quais os ricos se vestem com trajes efeminados e as suas mulheres como bonecas de porcelana. Tudo num registo de uma tentativa primária de ficção científica.

No fraco nível da actuação, a única excepção é Jennifer Lawrence, que até vai bem no papel da protagonista, mas nem isso safa o filme. Esta é uma daquelas estopadas, ainda por cima bastante longa, que se deve evitar a todo o custo. Ainda para mais porque, como sempre acontece, a sequela já está anunciada. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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