quinta-feira, 1 de março de 2012

Regresso ao passado

Este é o reencontro do realizador Jason Reitman com a argumentista Diablo Cody depois de “Juno” (2007), que ganhou o Óscar para o melhor argumento. Apesar desta dupla, o filme não vai muito além da banalidade e do previsível.

Mavis Gary (Charlize Theron) tem 37 anos, está divorciada, abusa da bebida e escreve livros para um público classificado como “jovens adultos”. A meio de um bloqueio de escrita quando tenta redigir o último livro da série, recebe uma mensagem de correio electrónico do seu antigo namorado de liceu, anunciando o nascimento da sua filha.

Sentindo-se frustrada com a sua vida, Mavis de a grande cidade de Minneapolis para voltar à pequena Mercury, onde cresceu, decidida a reconquistar Matt (Patton Oswalt). Esta é uma viagem a um tempo onde era a miúda mais gira e popular da escola, que desprezava os outros e era invejada por todos. Mas, obviamente, este regresso impossível não vai correr como ela esperava. Devia ser fácil para aquela que vingou, que conseguiu fugir da terriola, voltar e vencer, mas a realidade é bastante diferente. É aqui que o filme começa a deixar de ser uma comédia ligeira para passar a uma tragédia pessoal, associada a uma crítica social.

Aqui há, ao mesmo tempo, uma passagem para a idade adulta. O choque de Mavis no seu regresso ao passado vai fazê-la finalmente deixar de ser a “jovem adulta” dos seus livros. Este aspecto, talvez o mais interessante, é o que é menos explorado, o que é pena.

O filme não surpreende. Está tudo lá, tal como esperamos, o que acaba por torná-lo aborrecido, por vezes. No final, dá vontade de deixarmos de ser “jovens adultos” do cinema e passar para outros filmes. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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